O Mandylion é uma imagem do rosto de Jesus em um pano, conhecida também como Imagem de Edessa. Segundo uma antiga tradição cristã, a imagem apareceu de modo milagroso, sem ter sido pintada por ninguém. Por isso, ela também é chamada de “imagem não feita por mãos humanas”.
A dúvida mais importante é se esse pano realmente existiu no tempo de Jesus. A Bíblia não menciona o Mandylion, e os relatos antigos não permitem confirmar que a imagem tenha sido produzida por Jesus.
A história começou ligada a Abgar, governante de Edessa, uma cidade que ficava na região da atual Turquia. No século IV, o historiador cristão Eusébio de Cesareia registrou uma tradição segundo a qual Abgar escreveu a Jesus pedindo cura. Jesus teria respondido que, depois, enviaria um discípulo até ele. Mas há um detalhe importante: Eusébio fala das cartas; não fala de um pano com o rosto de Jesus.
Em relatos posteriores, a história ganhou novos detalhes. Primeiro apareceu a ideia de um retrato de Jesus. Mais tarde, passou-se a contar que a imagem havia surgido milagrosamente num tecido colocado em contato com o rosto dele. É essa imagem que ficou conhecida como Mandylion. Assim, o relato sobre o pano surgiu depois da história das cartas, e não nos evangelhos.
O Mandylion ocupa um lugar importante na tradição da Igreja Ortodoxa, que celebra a transferência da Imagem de Edessa pra Constantinopla, ocorrida no século X. Isso ajuda a entender seu valor religioso e histórico. Mas não prova que o pano tenha vindo dos dias de Jesus, nem que a imagem tenha se formado da maneira descrita pela tradição. Seu paradeiro posterior também é incerto.
Pra entender Jesus e o que ele veio fazer, não dependemos dessa relíquia. Os evangelhos nos apresentam suas palavras, seus atos, sua morte e sua ressurreição (Lucas 1:1-4; João 20:30-31). O Mandylion, portanto, é uma tradição sobre uma possível imagem de Jesus, não um objeto cuja origem milagrosa possa ser afirmada com base na Bíblia.