Essa expressão não quer dizer que Deus estava apenas entregando uma lista cada vez maior de regras. Em Isaías 28, ela faz parte de uma advertência a líderes que não queriam ouvir o que Deus lhes dizia.
O profeta descreve sacerdotes e profetas de Judá que, em vez de orientar o povo, estavam confusos até por causa da bebida (Isaías 28:7-8). Logo depois, aparecem as perguntas: a quem se pretende ensinar? A crianças que acabaram de ser desmamadas? Em seguida vem a repetição: “mandamento sobre mandamento”, “um pouco aqui, um pouco ali” (Isaías 28:9-10).
A maneira de entender essas falas é que os líderes estavam zombando da mensagem de Isaías. Para eles, o profeta repetia coisas simples demais, como se estivesse ensinando crianças. Nem todos entendem exatamente da mesma forma quem está falando nesses versículos, mas o ponto principal da passagem fica claro: o povo resistia ao ensino que Deus lhe oferecia.
Então, no versículo 13, a expressão aparece de novo, agora ligada ao resultado dessa resistência. Deus havia lhes oferecido descanso e alívio, mas eles não quiseram escutar (Isaías 28:12). Por isso, a palavra que desprezaram não lhes traria o descanso que poderiam ter recebido. Ao continuar rejeitando a mensagem, eles acabariam caindo e sendo presos, como anuncia o fim do versículo 13.
O versículo 11 também diz que Deus falaria com aquele povo por meio de uma língua estrangeira. Isso aponta para o julgamento que viria por meio de inimigos de outra nação. Eles não quiseram ouvir a advertência clara do profeta; teriam de enfrentar as consequências daquilo contra o que ele os advertia.
Portanto, “mandamento sobre mandamento” não é, nesse trecho, uma recomendação de método de ensino bíblico. É uma expressão repetida num confronto: os líderes tratavam a palavra de Deus como algo infantil e sem importância, e Isaías mostra a gravidade dessa recusa. Mais adiante, ele apresenta o caminho oposto: confiar na pedra firme que Deus coloca em Sião (Isaías 28:16). O Novo Testamento relaciona essa pedra a Jesus Cristo (1 Pedro 2:6).