Malteísmo é a ideia de que Deus existe, mas é mau. A pessoa que pensa assim pode acreditar que Deus causa sofrimento por crueldade, que trata as pessoas injustamente ou que não merece ser adorado.
Isso é diferente do ateísmo, que nega a existência de Deus. Às vezes, porém, alguém que não crê em Deus diz: “Se o Deus da Bíblia existisse, eu o consideraria mau.” Nesse caso, a pessoa não está necessariamente afirmando o malteísmo como sua crença; está fazendo uma crítica à maneira como entende Deus.
Essa ideia costuma surgir de duas perguntas difíceis: por que existe tanto sofrimento no mundo? E como entender os relatos bíblicos em que Deus julga pessoas e povos? São perguntas que merecem ser levadas a sério. Quem perdeu alguém, sofreu uma injustiça ou lê uma passagem difícil da Bíblia não precisa fingir que tudo é simples.
A própria Bíblia mostra pessoas perguntando a Deus por que ele permite o sofrimento. Jó fez isso depois de perder quase tudo. Nos salmos, há orações de pessoas aflitas que não entendiam o que Deus estava fazendo. Questionar, lamentar e pedir uma resposta, portanto, não é a mesma coisa que concluir que Deus tem prazer no mal.
No fim do livro de Jó, Deus deixa claro que Jó não conhecia tudo o que seria necessário pra julgar suas ações (Jó 38–42). Isso não explica a causa de cada sofrimento, nem significa que toda dor deva ser recebida sem choro ou perguntas. Mostra que há uma diferença entre dizer “não entendo por que Deus permitiu isso” e dizer “por isso, sei que Deus é mau”.
A resposta cristã também não depende apenas de dizer que Deus sabe mais do que nós. Ela aponta pra Jesus. Os Evangelhos mostram Jesus acolhendo pessoas que sofriam, enfrentando o mal e, por fim, sofrendo uma morte injusta. Segundo o Novo Testamento, ele entregou a própria vida por nós e ressuscitou (Romanos 5:8; 1 Coríntios 15:3-4). Isso não responde por que Deus permitiu *cada* tragédia. Mas mostra por que os cristãos não veem o sofrimento como prova de que Deus é cruel ou indiferente: em Cristo, ele se aproximou de quem sofre e agiu pra nos salvar.
Quanto aos julgamentos narrados na Bíblia, eles precisam ser examinados no seu contexto. A Bíblia apresenta Deus como justo, e não como alguém que pode agir de qualquer maneira só porque tem poder (Deuteronômio 32:4). Isso não torna todos os relatos fáceis de entender. Significa que, pra avaliar uma passagem difícil, precisamos perguntar o que aconteceu ali e o que o texto realmente diz, em vez de presumir que ela mostra crueldade.
Assim, o malteísmo dá uma resposta à questão do sofrimento: Deus seria mau. A fé cristã reconhece que o sofrimento é real e que nem sempre sabemos explicar por que ele acontece. Mas, ao olhar pra vida, a morte e a ressurreição de Jesus, afirma que o caráter de Deus não é definido pela crueldade, e sim pela justiça e pelo amor.