A maldição não vinha da árvore em si. Na lei dada a Israel, pendurar alguém num madeiro era uma forma de expor publicamente o corpo de uma pessoa que já tinha sido condenada à morte por um crime grave. Aquilo mostrava a seriedade da condenação. Por isso, Deuteronômio 21:22-23 dizia que o corpo não podia passar a noite ali: devia ser sepultado no mesmo dia, para que a terra não fosse contaminada.
Há um detalhe importante: nesse trecho, a pessoa primeiro era morta e depois tinha o corpo pendurado. A lei não está dizendo que qualquer pessoa que subisse numa árvore estaria sob maldição, nem que a madeira tivesse algum poder. Ela trata da exposição pública de alguém condenado.
É por isso que Paulo menciona essa lei ao falar da morte de Jesus. Jesus foi pregado numa cruz de madeira, embora não tivesse cometido pecado. Em Gálatas 3:13, Paulo explica que Cristo tomou sobre si a maldição que cabia a nós e nos resgatou dela. Isso não significa que Jesus fosse culpado. Significa justamente o contrário: ele sofreu em nosso lugar. A Bíblia também conta que seu corpo foi retirado da cruz e sepultado naquele mesmo dia (João 19:31, 38-42).
Então, a resposta é esta: na lei de Israel, ser pendurado num madeiro era sinal público de condenação, e por isso estava associado à maldição. Quando os apóstolos falam da cruz de Jesus usando essa linguagem, mostram algo ainda mais profundo: ele, que não merecia condenação, aceitou morrer para salvar pessoas que precisavam do perdão de Deus.