É difícil entender por que pessoas ferem umas às outras, ainda mais quando quem sofre não fez nada pra merecer. A Bíblia não trata essa dor como algo normal ou bom. Ela ensina que Deus criou o mundo bom, mas que a vida humana foi profundamente afetada pelo pecado: nossa decisão de viver longe dele e fazer o que queremos, mesmo quando isso prejudica outras pessoas (Gênesis 1:31; 3).
Isso não significa que toda pessoa seja má o tempo todo. Significa que o problema não está só em algumas pessoas especialmente cruéis. Egoísmo, orgulho, mentira e falta de amor podem aparecer no coração de qualquer um de nós. Por isso, mesmo quando criamos leis e tentamos construir uma sociedade melhor — coisas importantes —, a maldade não desaparece. Ela também nasce das escolhas que fazemos (Marcos 7:21-23; Romanos 3:23).
A Bíblia fala ainda da atuação de Satanás, que engana e se opõe a Deus (Gênesis 3:1-5; João 8:44). Mas isso não tira a responsabilidade humana. Não podemos atribuir a ele toda atitude errada como se as pessoas não tivessem escolha. Em Gênesis, a maldade cresce quando seres humanos passam a agir contra Deus e contra o próximo: Caim, por exemplo, mata seu próprio irmão (Gênesis 4:3-8).
Talvez a parte mais difícil da pergunta seja esta: se Deus é bom, por que ele ainda não acabou com tudo isso? A Bíblia não explica por que Deus permite cada ato de maldade, e seria cruel fingir que sabemos a razão de uma tragédia específica. Ela afirma, porém, que a demora de Deus não é indiferença. Ele é paciente e chama as pessoas ao arrependimento; ao mesmo tempo, promete que o mal não ficará sem julgamento para sempre (2 Pedro 3:9-10).
Deus também não ficou distante do sofrimento. Em Jesus, ele entrou na nossa história. Cristo foi traído, condenado injustamente e morto. Pessoas fizeram o mal, mas Deus não deixou que essa injustiça tivesse a última palavra: ressuscitou Jesus e, por meio dele, oferece perdão e uma vida transformada (Atos 2:23-24; 1 Pedro 3:18). Isso não torna a maldade boa. Mostra que Deus é capaz de agir mesmo diante dela.
E o que fazemos enquanto o mal ainda existe? Quem segue Jesus não recebe licença pra ignorá-lo nem pra responder com a mesma violência. É chamado a reconhecer o próprio pecado, buscar a ajuda de Deus pra mudar e fazer o bem ao próximo — inclusive quando isso custa alguma coisa (Romanos 12:9, 17-21; Gálatas 6:9-10).
Portanto, há tanta maldade porque o pecado continua presente nas escolhas humanas, num mundo que ainda não foi restaurado por completo. Mas essa não é a última parte da história que a Bíblia conta. A esperança cristã é que Jesus voltará, Deus fará justiça e acabará com a morte, a dor e o sofrimento (Apocalipse 21:3-5). Até lá, podemos levar o mal a sério sem perder a esperança, porque Deus não o aprova, não o ignora e não permitirá que ele dure para sempre.