Depende do que queremos dizer com “mal”. Se estamos falando de pecado, a resposta é não. Uma coisa que Deus condena não se torna certa só porque parece ser o único jeito de conseguir um bom resultado. Mas, se “mal” significa algo doloroso ou trágico, pode haver situações em que uma decisão correta tenha consequências terríveis.
Essa diferença importa. Pense em alguém que precisa impedir uma agressão e, ao fazer isso, fere o agressor. O ferimento é algo ruim; ninguém deveria tratar isso como pouca coisa. Mas não é a mesma coisa que ferir uma pessoa inocente por crueldade. Por isso, a Bíblia proíbe o assassinato em Êxodo 20:13, sem dizer que toda morte causada por uma pessoa é assassinato. O que aconteceu, por que aconteceu e qual foi a intenção fazem diferença na avaliação moral.
Também não podemos usar essa distinção pra dizer que “os fins justificam os meios”. Saul, por exemplo, apresentou um sacrifício sem esperar por Samuel. Ele tinha razões que, aos seus olhos, pareciam urgentes, mas isso não tornou sua desobediência aceitável (1 Samuel 13:8-14). Uma boa intenção não nos dá licença pra ignorar o que Deus ordena.
Há casos mais difíceis. As parteiras hebreias desobedeceram à ordem do faraó de matar meninos recém-nascidos, e Deus as tratou com bondade porque elas o temiam (Êxodo 1:15-21). Raabe escondeu os homens enviados por Israel e enganou os guardas que os procuravam; mais tarde, a Bíblia elogia sua fé e o fato de ter acolhido aqueles homens (Josué 2:1-7; Tiago 2:25). Esses relatos mostram que proteger vidas pode exigir coragem diante de uma autoridade injusta. Eles não dizem, porém, de forma direta, que toda atitude tomada nessas situações deve virar uma regra pra todos os casos. Por isso, cristãos que levam a Bíblia a sério podem discordar sobre alguns dilemas desse tipo.
Então, a maneira mais segura de usar a expressão é esta: uma decisão certa pode envolver sofrimento, mas o pecado não se torna necessário só porque nos parece útil. Deus não promete que obedecer será sempre fácil ou que evitaremos toda perda. Ele nos chama a buscar uma saída fiel diante da tentação, em vez de usar a dificuldade como desculpa pra pecar (1 Coríntios 10:13). Quando a escolha for complicada, precisamos examinar os fatos, considerar o que Deus ensina e agir com humildade — não procurar um jeito de chamar de “necessário” aquilo que sabemos ser errado.