Jesus não estava ensinando que Deus favorece os ricos. Em Mateus 13:12 e 25:29, ele usa a mesma frase em duas situações diferentes. Em ambas, a ideia é que importa o que a pessoa faz com aquilo que recebeu: quem acolhe o ensino de Jesus recebe mais entendimento; quem ignora o que recebeu pode acabar perdendo até o que parecia ter.
Em Mateus 13, os discípulos perguntam por que Jesus fala por parábolas, aquelas histórias que ensinam por meio de situações conhecidas. Eles não entendiam tudo de imediato, mas procuravam Jesus pra aprender. Por isso, ele lhes explicava mais sobre o Reino de Deus. Outros ouviam as mesmas histórias, mas não acolhiam o que Jesus já vinha ensinando. As parábolas não tornavam tudo igualmente claro pra todos: quem queria aprender podia perguntar e entender melhor; quem rejeitava a mensagem continuava sem compreender. É nesse contexto que Jesus diz que a quem tem será dado mais. Ele está falando de entendimento espiritual, não de dinheiro (Mateus 13:10-17, 34-36).
Em Mateus 25, a frase aparece no fim de outra parábola. Um senhor confia diferentes quantias de dinheiro a três servos antes de viajar. Dois usam o que receberam e prestam contas quando ele volta. O terceiro esconde o dinheiro e o devolve sem ter feito nada com ele. O senhor tira a quantia desse servo e a entrega a um dos que foram fiéis (Mateus 25:14-29). Aqui, Jesus destaca a responsabilidade diante do que foi confiado a cada um. Os servos receberam quantias diferentes, mas todos tinham algo pelo qual responder.
Então, a frase não é uma promessa de que quem tem dinheiro ficará mais rico, nem uma ordem pra tirar de quem é pobre. Em Mateus 13, Jesus fala de receber ou rejeitar seu ensino. Em Mateus 25, fala de agir ou não com o que foi recebido. Nos dois casos, ele nos leva a uma pergunta simples: o que estamos fazendo com aquilo que Deus já nos deu?