Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Por que algumas pessoas na Bíblia têm mais de um nome?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

Porque, nos tempos bíblicos, uma pessoa podia ser chamada de maneiras diferentes — assim como alguém hoje pode ter um nome de família, um apelido ou um nome usado em outro país. Mas nem todos os casos têm a mesma explicação. Às vezes, o novo nome marcava uma promessa de Deus; em outras, vinha de um governante, de um acontecimento ou da convivência entre povos que falavam línguas diferentes.

Em alguns casos, Deus deu um novo nome à pessoa. Abrão passou a se chamar Abraão quando Deus confirmou a promessa de que ele seria pai de muitos povos (Gênesis 17:5). Jacó recebeu o nome Israel depois de lutar com Deus (Gênesis 32:28). O novo nome, nesses casos, ajudava a mostrar o que Deus estava fazendo na vida daquela pessoa. Isso não quer dizer que todo nome antigo deixasse imediatamente de ser usado: a Bíblia continua chamando Jacó pelos dois nomes.

Jesus também deu a Simão o nome Cefas, apresentado em grego como Pedro (João 1:42). Por isso, quando encontramos “Simão” e “Pedro” nos Evangelhos, não estamos diante de dois discípulos diferentes.

Outros nomes vieram das circunstâncias em que a pessoa vivia. O faraó deu a José um nome egípcio, Zafenate-Paneia, quando o colocou numa posição de autoridade no Egito (Gênesis 41:45). Na Babilônia, Daniel e seus três amigos receberam novos nomes por ordem de um oficial do rei (Daniel 1:6-7). Já Ester tinha também o nome Hadassa, como informa o próprio livro de Ester (Ester 2:7). Embora existam propostas sobre a origem do nome “Ester”, a Bíblia não diz que ele lhe foi imposto nem explica por que ela usava os dois nomes.

Um acontecimento também podia dar origem a outro nome. Depois que Gideão derrubou o altar de Baal, passou a ser chamado Jerubaal (Juízes 6:32). E Noemi, profundamente entristecida pela morte do marido e dos filhos, pediu que a chamassem de Mara, nome ligado à amargura (Rute 1:20). No caso dela, era uma forma de expressar como se sentia, não o registro de que seu nome tinha sido oficialmente trocado.

Há ainda nomes ligados a línguas e ambientes diferentes. Saulo é um bom exemplo. Em Atos 13:9, ele é apresentado como “Saulo, também chamado Paulo”. O texto não diz que Jesus mudou seu nome na conversão. O que sabemos é que o livro de Atos passa a chamá-lo normalmente de Paulo na parte em que narra suas viagens pelo mundo de língua grega e sob domínio romano.

Saber disso ajuda até a entender passagens que, à primeira vista, parecem discordar. O rei que aparece como Azarias em parte do relato de 2 Reis também é chamado Uzias no mesmo livro (2 Reis 15:7, 32). Mateus usa o nome Uzias ao mencioná-lo como pai de Jotão (Mateus 1:9). São nomes diferentes para a mesma pessoa, não dois reis distintos.

Em outros casos, a Bíblia simplesmente registra os nomes sem explicar a razão. Por isso, o melhor é olhar cada história no seu contexto. Ter mais de um nome não era algo estranho naquele mundo — e nem sempre significava que a pessoa havia mudado.