Porque dar a vida por alguém é abrir mão até daquilo que não podemos recuperar, pra que essa pessoa viva. Foi assim que Jesus mostrou o tamanho do seu amor. E, quando disse essas palavras, ele sabia que em breve morreria na cruz.
Jesus falou isso aos discípulos enquanto os ensinava a amar uns aos outros como ele os havia amado (João 15:12-13). Não era só uma maneira de dizer que gostava deles. Ele estava prestes a fazer por eles aquilo que nenhum deles poderia fazer por si mesmo: morrer pelos pecados deles. Sua morte não foi apenas um exemplo de coragem. Foi o meio pelo qual Deus ofereceu perdão e reconciliação a pessoas que precisavam dele (João 3:16; 1 Pedro 3:18).
Isso ajuda a entender por que Jesus chama essa entrega de amor maior. Amar é querer o bem de alguém e agir por esse bem, mesmo quando isso nos custa alguma coisa. Entregar a própria vida é a forma mais completa dessa disposição: a pessoa não guarda nem a própria vida quando pode usá-la pra salvar outra. No caso de Jesus, esse amor foi ainda mais impressionante porque não dependia de as pessoas merecerem seu sacrifício. Paulo explica que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores (Romanos 5:8).
Mas há um detalhe que pode causar dúvida: Jesus falou em dar a vida pelos *amigos*. Será que ele estava dizendo que devemos amar somente quem é próximo de nós? Não. Naquela conversa, ele se dirigia aos discípulos e os chamava de amigos (João 15:14-15). Isso não limita o alcance do seu amor. A Bíblia também diz que Cristo morreu por pessoas que ainda estavam afastadas de Deus, e o próprio Jesus ensinou seus seguidores a amar até os inimigos (Romanos 5:6-10; Mateus 5:44).
Seguir esse exemplo não significa procurar uma situação em que possamos morrer por alguém. Significa aprender a colocar o bem dos outros acima da nossa comodidade. João torna isso bem concreto: depois de falar da vida que Jesus entregou por nós, ele pergunta como alguém pode dizer que ama seu irmão se vê que ele passa necessidade, tem condições de ajudar e não faz nada (1 João 3:16-18). O amor que estaria disposto a dar a vida também aparece nas escolhas de cada dia.
Então, Jesus não estava diminuindo outras formas de amor. Ele estava mostrando até onde o amor verdadeiro pode chegar — e até onde o amor dele por nós chegou.