O magistério é a autoridade de ensinar que a Igreja Católica atribui ao papa e aos bispos em comunhão com ele. Quando um católico diz que determinada doutrina é ensinada pelo magistério, ele quer dizer que ela não é apenas a opinião de um padre ou de um estudioso: é um ensinamento apresentado por quem, segundo a Igreja Católica, tem a responsabilidade de orientar os fiéis na fé.
Mas isso não significa que toda fala de um papa ou de um bispo seja considerada infalível. A Igreja Católica distingue os ensinamentos comuns das definições que, em condições específicas, considera livres de erro. Essa infalibilidade diz respeito ao ensino sobre fé e moral; não quer dizer que os líderes da Igreja nunca pecam, nunca se enganam em outros assuntos ou recebem novas revelações de Deus.
Na compreensão católica, uma doutrina pode ser ensinada infalivelmente, por exemplo, quando os bispos reunidos em um concílio, em união com o papa, definem uma questão de fé ou moral para toda a Igreja. Há também o caso em que o papa faz uma definição solene, chamada *ex cathedra*. São condições bem mais restritas do que simplesmente o papa se pronunciar sobre um assunto. Outros ensinamentos do magistério também pedem acolhimento dos católicos, mas não são apresentados todos com o mesmo grau de autoridade.
A razão dessa doutrina está na maneira como os católicos entendem a Igreja. Eles creem que Cristo confiou aos apóstolos, e depois aos seus sucessores, a tarefa de guardar e ensinar fielmente a fé recebida. Para defender essa ideia, recorrem a passagens como Mateus 16:18-19, sobre Pedro, e 1 Timóteo 3:15, que chama a igreja de coluna e fundamento da verdade. Para eles, o magistério serve à revelação de Deus; não deveria criar uma revelação nova.
Onde está a diferença em relação à compreensão evangélica? Ela não está em saber se a igreja deve ensinar. Deve, sim. O Novo Testamento fala de pessoas encarregadas de ensinar e cuidar da comunidade cristã (Efésios 4:11-13). A questão é se Deus prometeu a determinados líderes da igreja a capacidade de definir doutrinas sem erro.
Os cristãos evangélicos, em geral, entendem que as passagens usadas para defender o magistério mostram a importância da igreja e de seus líderes, mas não estabelecem claramente a infalibilidade do papa ou dos bispos. Eles dão à Bíblia a autoridade decisiva para avaliar qualquer ensinamento da igreja. Por isso, consideram importante o exemplo dos bereanos, que examinavam as Escrituras para conferir o que ouviam de Paulo (Atos 17:11), e a afirmação de que as Escrituras podem instruir para a salvação e preparar o servo de Deus para toda boa obra (2 Timóteo 3:15-17).
Isso não quer dizer que cada pessoa deva ignorar pastores, professores ou cristãos de outras épocas e decidir tudo sozinha. A igreja precisa de ensino responsável, e nós precisamos aprender uns com os outros. A diferença é esta: na perspectiva evangélica, até os ensinamentos dos líderes devem ser examinados à luz das Escrituras. Já na perspectiva católica, o magistério, em condições específicas, pode definir de modo infalível como a fé recebida deve ser compreendida.
Portanto, “magistério” é o nome da autoridade oficial de ensino da Igreja Católica. Entender o termo é simples; a questão teológica mais profunda é saber se a Bíblia dá a essa autoridade a garantia de infalibilidade que o catolicismo afirma.