A Igreja Luterana faz parte do cristianismo protestante. Seu nome vem de Martinho Lutero, um monge e professor de teologia alemão que, no século 16, questionou ensinamentos e práticas da Igreja Católica de sua época. A pergunta que mais o preocupava era esta: como uma pessoa pecadora pode ser aceita por Deus?
Lutero ensinou que ninguém consegue conquistar a salvação por obedecer a regras religiosas ou fazer boas obras. Deus nos recebe por sua graça, por causa de Jesus Cristo, e essa salvação é recebida pela fé. Esse continua sendo o centro da fé luterana. Paulo ensina que somos salvos pela graça, mediante a fé, e não como resultado das nossas obras (Efésios 2:8-9). Ele também diz que somos justificados pela fé em Cristo, não por cumprir as exigências da lei para tentar merecer a aprovação de Deus (Romanos 3:23-28).
Isso não significa que fazer o bem seja inútil. Os luteranos ensinam que as boas obras são fruto da fé, não o preço pago pela salvação. A própria passagem de Efésios continua dizendo que Deus nos criou em Cristo para praticá-las (Efésios 2:10).
Lutero não começou querendo fundar outra igreja. Em 1517, ele apresentou suas conhecidas 95 teses, que discutiam principalmente a venda de indulgências — uma prática ligada à promessa de redução de penas pelos pecados. O conflito cresceu, Lutero foi excomungado em 1521 e as comunidades que seguiram a Reforma passaram a se organizar separadamente. Em 1530, seus representantes apresentaram a *Confissão de Augsburgo*, um documento que até hoje é importante para explicar a fé luterana.
Os luteranos também dão grande importância à Bíblia como autoridade para o ensino da igreja. Para eles, uma tradição religiosa não deve ser aceita como ensinamento obrigatório quando contraria as Escrituras. Creem em Deus Pai, Filho e Espírito Santo; na morte e ressurreição de Jesus; e na necessidade da ação do Espírito Santo para que uma pessoa creia. Embora reconheçam que temos escolhas na vida comum, ensinam que ninguém produz a própria fé ou se salva por esforço pessoal.
Duas práticas têm um lugar especial na vida luterana: o batismo e a Ceia do Senhor. Diferentemente de muitas outras igrejas protestantes, os luteranos batizam crianças. Eles entendem o batismo como uma ação pela qual Deus oferece sua graça, e não apenas como uma declaração pública de quem já decidiu crer (Atos 2:38-39; Tito 3:5). Isso não quer dizer, porém, que todos ensinem que uma pessoa sem batismo esteja automaticamente condenada. Na Ceia, creem que Cristo está realmente presente ao oferecer seu corpo e sangue aos que participam, conforme as palavras de Jesus na instituição da Ceia (Mateus 26:26-28; 1 Coríntios 10:16). Outras tradições cristãs interpretam de modo diferente essas passagens e o papel do batismo e da Ceia.
Por fim, não existe uma única organização luterana que represente todos os luteranos. Há igrejas luteranas em vários países, com diferenças na forma de culto e em questões doutrinárias e práticas. Algumas mantêm posições mais tradicionais; outras adotam interpretações mais abertas em certos assuntos. Por isso, nem toda opinião de uma igreja luterana pode ser atribuída a todas as demais.
Em poucas palavras, a Igreja Luterana nasceu da Reforma do século 16 e ensina que a salvação é um presente de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo, não uma recompensa por boas obras. Esse é o melhor ponto de partida pra entender tanto o que os luteranos têm em comum com outros cristãos quanto aquilo que os distingue de muitas outras igrejas protestantes.