Neviim é a palavra hebraica para “Profetas”. Ela dá nome à segunda parte da Bíblia Hebraica, que vem depois da Torá, os cinco livros de Moisés, e antes dos Ketuvim, os “Escritos”.
A dúvida costuma surgir porque judeus e cristãos organizam os livros do Antigo Testamento de maneiras diferentes. São, em grande parte, os mesmos textos, mas colocados em grupos diferentes. Por isso, um livro que aparece entre os “históricos” numa Bíblia cristã pode fazer parte dos Neviim na Bíblia Hebraica.
Os Neviim têm dois grupos:
- Profetas Anteriores: Josué, Juízes, Samuel e Reis. Nas Bíblias cristãs, Samuel e Reis são divididos em dois livros cada: 1 e 2 Samuel; 1 e 2 Reis. Esses livros contam a história de Israel desde a entrada em Canaã até a perda da terra e o exílio na Babilônia.
- Profetas Posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze. “Os Doze” reúne Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Na Bíblia Hebraica, eles formam um único livro; nas Bíblias cristãs, aparecem como doze livros separados.
Por que Josué, Juízes, Samuel e Reis são chamados de “profetas” se contam acontecimentos históricos? Porque, nessa organização, não se trata apenas de reunir livros escritos por pessoas chamadas profetas. Esses relatos também mostram a história de Israel à luz da palavra de Deus: como o povo e seus líderes reagiram a ela e quais foram as consequências. Samuel, Natã e Elias, por exemplo, aparecem nesses relatos anunciando a mensagem de Deus.
Já na organização cristã, a expressão “livros proféticos” normalmente se refere aos livros que vão de Isaías a Malaquias. Eles costumam ser apresentados assim:
- Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel.
- Profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
“Maiores” e “menores” indica principalmente o tamanho dos livros, não a importância dos profetas. Lamentações entra nesse grupo nas Bíblias cristãs por sua ligação tradicional com Jeremias. Daniel também fica entre os livros proféticos cristãos, mas, na Bíblia Hebraica, ele está nos Ketuvim, não nos Neviim.
É bom lembrar ainda que profecia bíblica não é só previsão do futuro. Os profetas anunciaram o que Deus queria dizer ao povo de sua época: denunciaram injustiças e idolatria, chamaram as pessoas ao arrependimento e também falaram da esperança que Deus lhes dava. Algumas dessas mensagens tratam de acontecimentos futuros, incluindo promessas ligadas ao Messias, mas não devemos ler cada passagem como se fosse uma previsão sobre os nossos dias.
No Novo Testamento, o Apocalipse é o livro mais diretamente identificado como profético (Apocalipse 1:3; 22:7). Isso não significa que ele seja o único lugar do Novo Testamento onde há profecias; significa que, como livro, ele ocupa esse lugar de destaque.
Então, a resposta depende de qual organização você está usando: Neviim é a seção chamada “Profetas” na Bíblia Hebraica; livros proféticos, nas Bíblias cristãs, geralmente são os livros de Isaías a Malaquias, organizados de outra maneira.