O Livro dos Jubileus é um antigo escrito judaico que reconta a história de Gênesis e do começo de Êxodo. Ele fala da criação, de Adão e Eva, de Noé, de Abraão e dos outros patriarcas, até chegar a Moisés no monte Sinai. O nome vem da maneira como o livro organiza a história em períodos de 49 anos, chamados *jubileus*.
Ele é importante pra conhecer o judaísmo antigo, mas não faz parte da Bíblia usada pela maioria dos cristãos. A Igreja Ortodoxa Etíope o recebe como Escritura; a maior parte das outras tradições cristãs, não.
O livro provavelmente foi escrito no século II antes de Cristo, muito depois da época de Moisés. Embora apresente seu conteúdo como uma revelação dada a Moisés por meio de um anjo, os estudiosos o entendem como uma obra de um autor judeu posterior. Fragmentos em hebraico foram encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto, em Qumran. Isso mostra que o livro era conhecido e valorizado por pessoas daquela comunidade. Não prova, porém, que Moisés o escreveu ou que todos os judeus o consideravam Escritura.
Uma diferença importante é que Jubileus não apenas repete Gênesis. Ele acrescenta nomes e acontecimentos que não aparecem na Bíblia e dá grande atenção ao calendário religioso, ao sábado e às festas. Também apresenta os patriarcas praticando certas regras religiosas antes de elas serem dadas a Israel por meio de Moisés.
Isso não significa que todo detalhe ausente de Gênesis seja necessariamente falso. A questão é outra: podemos receber esses detalhes e regras como revelação de Deus, com a mesma autoridade das Escrituras? Não basta que um livro seja antigo, interessante ou tenha sido preservado junto de outros escritos religiosos para concluir isso. Tampouco a falta de uma cópia completa em hebraico é, por si só, motivo pra rejeitá-lo.
Pra maioria dos cristãos, o ponto decisivo é que Jubileus não foi recebido como parte das Escrituras de Israel nem da Bíblia cristã da mesma maneira que Gênesis e Êxodo. Além disso, suas ampliações da história bíblica e suas regras particulares não devem ser tratadas como mandamentos de Deus só porque o livro as atribui a uma revelação recebida por Moisés.
Então vale a pena ler o Livro dos Jubileus? Sim, como documento histórico. Ele ajuda a entender como alguns judeus antigos liam as Escrituras e quais assuntos consideravam importantes. Mas, pra quem segue o cânon bíblico da maior parte das igrejas cristãs, ele não deve ser usado como autoridade pra corrigir Gênesis, acrescentar fatos à história bíblica ou estabelecer obrigações religiosas.