O Livro do Galo é um escrito cristão antigo que conta episódios ligados aos últimos dias de Jesus. Ele é chamado de *apócrifo* porque não faz parte do Novo Testamento. O texto é conhecido principalmente por sua ligação com a tradição cristã etíope e também recebe o nome de *Evangelho do Galo*.
O título chama atenção por causa do galo que aparece na narrativa. Nos Evangelhos da Bíblia, o canto de um galo está ligado à noite em que Pedro negou conhecer Jesus. Antes disso, Jesus havia avisado que Pedro o negaria; quando o galo cantou, Pedro se lembrou das palavras dele e chorou amargamente (Lucas 22:31-34, 54-62). Esse é o episódio bíblico. O Livro do Galo vai além dele, acrescentando uma história em que um galo participa dos acontecimentos que cercam a traição de Judas e a morte de Jesus.
É importante não confundir as duas coisas. Os relatos de Mateus, Marcos, Lucas e João fazem parte do Novo Testamento. Já o Livro do Galo pertence à literatura cristã produzida fora dele. Seu autor e a data exata em que foi escrito não são conhecidos com segurança; por isso, não seria correto apresentá-lo como um relato feito por alguém que acompanhou Jesus.
Então, o livro pode interessar a quem quer conhecer como cristãos de outras épocas contaram e imaginaram detalhes desses acontecimentos. Mas ele não é uma fonte para acrescentar fatos à história bíblica. Pra entender o que o Novo Testamento ensina sobre a negação de Pedro, a traição de Judas, a morte e a ressurreição de Jesus, o ponto de partida são os quatro Evangelhos.