Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é o livro de Siraque e por que ele não aparece em todas as Bíblias?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

Siraque é um livro antigo de ensinamentos sobre como viver com sabedoria. Ele também é chamado de Eclesiástico ou Sabedoria de Siraque. Aparece no Antigo Testamento das Bíblias católicas, mas geralmente não aparece nas Bíblias protestantes. A diferença não está no conteúdo do livro, e sim em quais livros cada tradição cristã reconhece como parte das Escrituras.

O autor se apresenta como Jesus, filho de Siraque — um sábio judeu, não Jesus Cristo. Ele escreveu por volta do começo do século 2 antes de Cristo, muitos anos antes do nascimento de Jesus. Seu livro fala de assuntos bem práticos: amizade, família, dinheiro, palavras, humildade e respeito a Deus. Por isso, em vários momentos, lembra o livro de Provérbios. E, apesar do nome parecido, Eclesiástico não é o mesmo livro que Eclesiastes.

O livro foi escrito originalmente em hebraico, e parte desse texto antigo chegou até nós. Mais tarde, um neto do autor o traduziu para o grego. No prefácio da tradução, esse neto fala do livro de seu avô como uma obra de instrução e o distingue da Lei, dos Profetas e de outros escritos recebidos pelos judeus. Esse é um dado importante na conversa sobre o lugar de Siraque na Bíblia, embora não resolva sozinho a questão.

Católicos chamam Siraque de deuterocanônico e o recebem como Escritura. A maioria dos protestantes o classifica entre os apócrifos: livros antigos que podem ser lidos e estudados, mas que não têm a mesma autoridade dos livros bíblicos. Assim, a ausência de Siraque numa Bíblia protestante não significa que o livro tenha sido descoberto ou descartado recentemente. Ela reflete uma diferença antiga sobre o reconhecimento desses escritos.

Também vale ter cuidado com um argumento que às vezes aparece nessa discussão: o fato de Jesus não citar Siraque pelo nome não prova, por si só, que o livro não seja Escritura. Jesus não cita explicitamente todos os livros que os cristãos reconhecem como bíblicos. Para entender a divergência, é preciso considerar a história de como judeus e cristãos receberam esses escritos, além de examinar seus ensinamentos.

Um trecho que chama atenção está em Siraque 3:30, que relaciona a ajuda aos pobres à expiação dos pecados. Os cristãos discordam sobre como entender essa linguagem. Na leitura protestante, ela não deve ser usada pra ensinar que boas obras conseguem o perdão de Deus, pois o Novo Testamento afirma que somos salvos pela graça, mediante a fé, não por mérito próprio (Efésios 2:8-9). Ao mesmo tempo, o versículo seguinte ensina que fomos criados em Cristo pra praticar boas obras (Efésios 2:10). A distinção é esta: fazer o bem é importante, mas não é uma forma de comprar a salvação.

Então, Siraque é uma obra judaica antiga de sabedoria, valiosa pra conhecer os ensinamentos e a vida religiosa do período anterior a Jesus. Para católicos, ele faz parte da Bíblia; para a maioria dos protestantes, não. Essa é a razão de você encontrá-lo em algumas edições e não em outras.