O livro de Rute conta como duas viúvas enfrentaram a perda e a falta de recursos, e como Deus cuidou delas por meio da fidelidade e da bondade de outras pessoas. É uma história curta, mas importante também por outro motivo: Rute se tornou bisavó do rei Davi e aparece na família de Jesus.
A história aconteceu na época dos juízes, quando Israel passava por muitos conflitos e frequentemente se afastava de Deus (Rute 1:1). Por causa de uma fome em Belém, Noemi foi morar em Moabe com o marido, Elimeleque, e os dois filhos. Ali, o marido morreu. Os filhos se casaram com duas moabitas, Orfa e Rute, mas depois também morreram. Noemi ficou sem marido e sem filhos, numa situação especialmente difícil naquele tempo (Rute 1:1-5).
Quando soube que havia alimento novamente em sua terra, Noemi decidiu voltar pra Belém. Ela aconselhou as noras a ficarem em Moabe, onde poderiam recomeçar a vida. Orfa voltou. Rute, porém, escolheu acompanhar Noemi. Sua decisão não foi apenas um gesto de carinho: ela deixou seu povo e declarou que o Deus de Noemi seria o seu Deus (Rute 1:6-18). Rute não sabia como as duas viveriam em Belém. Mesmo assim, não quis abandonar a sogra.
Pra conseguir comida, Rute passou a recolher as espigas deixadas para trás durante a colheita. A lei de Israel permitia que pessoas pobres e estrangeiras fizessem isso (Levítico 19:9-10). Ela foi trabalhar no campo de Boaz, um parente da família de Elimeleque. Boaz ouviu falar do cuidado de Rute com Noemi e a tratou com generosidade e respeito (Rute 2).
Boaz podia ajudar Noemi e Rute de uma forma ainda maior. Na história, ele é chamado de *resgatador*: um parente que tinha a possibilidade de agir pra proteger os interesses de uma família em dificuldade. Quando Rute pediu a ajuda dele, Boaz não se aproveitou da situação. Primeiro resolveu a questão de outro parente que tinha prioridade; depois assumiu publicamente o compromisso e se casou com Rute (Rute 3–4). Assim, Noemi e Rute receberam cuidado, e Boaz agiu de maneira justa.
O filho de Rute e Boaz recebeu o nome de Obede. Ele foi pai de Jessé, que foi pai de Davi (Rute 4:17). Muitos anos depois, Mateus incluiu Rute na genealogia de Jesus (Mateus 1:5). Uma mulher estrangeira, que chegou a Belém sem saber como sustentaria a si mesma e à sogra, passou a fazer parte dessa história.
O livro não ensina que toda pessoa bondosa terá o mesmo final de Rute, com casamento, filhos e segurança financeira. Noemi sofreu perdas reais, e a história não trata sua dor como algo pequeno. O que ela mostra é que podemos ser fiéis a Deus e cuidar uns dos outros mesmo quando não sabemos como nossa situação vai terminar. Rute fez isso ao permanecer com Noemi; Boaz, ao proteger e ajudar as duas.
O cuidado de Boaz como resgatador também ajuda os cristãos a entenderem um tema maior da Bíblia: Jesus veio pra nos resgatar do pecado (Efésios 1:7). Isso não quer dizer que Boaz tenha feito a mesma coisa que Jesus. Boaz ajudou uma família em necessidade; Jesus fez por nós o que nenhum outro poderia fazer.
O livro não informa quem o escreveu. Samuel é apontado como autor por uma tradição, mas isso não pode ser confirmado pelo texto. Também não sabemos a data exata da escrita. A história se passa nos dias dos juízes, enquanto a referência a Davi no final mostra que o livro, na forma em que chegou até nós, foi concluído depois que essa família já era conhecida.
No fim, Rute nos deixa uma lição fácil de guardar: em meio a perdas e incertezas, a fidelidade a Deus se mostra em escolhas concretas de amor, cuidado e justiça. E a história de Noemi e Rute nos lembra que elas não estavam esquecidas por Deus.