Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Como os cristãos devem ver o Livro de Mórmon?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Os cristãos podem ler o Livro de Mórmon pra conhecer o que ele ensina, mas não devem aceitá-lo como Escritura só porque fala de Jesus. A pergunta decisiva é: ele pode ser recebido como uma revelação de Deus, com autoridade para orientar a fé cristã? Pra responder, é preciso examinar suas afirmações à luz da Bíblia e do evangelho anunciado pelos apóstolos.

O Livro de Mórmon foi publicado por Joseph Smith em 1830. Segundo ele, o livro é uma tradução de registros antigos e conta, entre outras coisas, sobre povos que viveram nas Américas e sobre uma visita de Jesus a eles depois da ressurreição. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias o considera Escritura, junto com a Bíblia e outros escritos de sua tradição.

Por isso, a questão vai além de gostar ou não do que se lê no livro. Aceitar o Livro de Mórmon como Palavra de Deus também envolve confiar na afirmação de Joseph Smith de que recebeu de Deus a autoridade para apresentá-lo. E essa é uma afirmação que precisa ser examinada com cuidado. Os cristãos de Bereia foram elogiados porque conferiam nas Escrituras até mesmo o que o apóstolo Paulo ensinava (Atos 17:11). Seguir esse exemplo não é falta de respeito; é levar a verdade a sério.

A Bíblia também alerta que a mensagem de alguém não deve ser aceita apenas porque essa pessoa afirma ter recebido uma revelação. Em Deuteronômio 13:1-3, o povo de Deus é orientado a rejeitar um ensino que o leve a seguir outro deus, mesmo que venha acompanhado de um sinal impressionante. Em Gálatas 1:6-9, Paulo adverte contra um evangelho diferente daquele que os apóstolos anunciaram, mesmo que fosse apresentado por um anjo. Assim, uma experiência espiritual ou um sentimento forte, por mais sincero que seja, não substitui o exame da mensagem.

Nesse exame, é importante ser justo com os santos dos últimos dias. O Livro de Mórmon não apresenta, de maneira clara, todos os ensinamentos pelos quais sua igreja ficou conhecida. Algumas diferenças mais profundas em relação ao cristianismo histórico aparecem em ensinamentos posteriores de Joseph Smith e em outros escritos aceitos por essa igreja. Entre elas estão sua maneira de entender quem Deus é e a possibilidade de seres humanos alcançarem a exaltação divina. Por isso, não basta comparar alguns trechos do Livro de Mórmon com a Bíblia; é preciso considerar também a fé que ele é usado pra sustentar.

No centro da fé cristã está Jesus Cristo: o Filho de Deus que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou. Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé nele, não por conseguir cumprir uma série de exigências religiosas (1 Coríntios 15:1-4; Efésios 2:8-10). As boas obras importam, mas vêm como resultado dessa salvação, não como uma maneira de conquistá-la.

Portanto, o cristão deve tratar os santos dos últimos dias com respeito e ouvir o que eles realmente creem, sem caricaturas. Ao mesmo tempo, deve avaliar o Livro de Mórmon e as afirmações de Joseph Smith pela fé ensinada nas Escrituras. Ter Jesus como personagem não é, por si só, suficiente pra reconhecer um livro como revelação de Deus. O que importa é se sua autoridade e a mensagem que acompanha essa autoridade são fiéis ao Cristo e ao evangelho anunciados pelos apóstolos.