O livro de Jonas é conhecido pela história do grande peixe. Mas a pergunta que conduz o livro é outra: por que Jonas ficou tão contrariado quando Deus teve misericórdia de Nínive? O peixe ocupa uma parte da história; a dificuldade de Jonas em aceitar que Deus poupasse aquela cidade aparece até o fim.
Jonas era um profeta de Israel, também mencionado em 2 Reis 14:25, durante o reinado de Jeroboão II, no século VIII antes de Cristo. O livro conta acontecimentos da vida dele, mas não diz quem o escreveu nem quando foi escrito. Jonas 1:1 apresenta o profeta; não o identifica como autor.
Deus mandou Jonas ir a Nínive e anunciar que a maldade da cidade não passava despercebida. Nínive era uma importante cidade da Assíria, povo inimigo de Israel. Jonas, porém, embarcou rumo a Társis, tentando fugir da missão. Mais tarde, ele próprio explica o motivo: sabia que Deus era misericordioso e não queria que os ninivitas fossem poupados caso se arrependessem (Jonas 4:2).
Durante a viagem, uma forte tempestade ameaçou o navio. Os marinheiros lançaram sortes, Jonas reconheceu sua responsabilidade e foi jogado ao mar. Deus então enviou um grande peixe que o engoliu. O texto não diz que era uma baleia. Ali, Jonas orou, reconhecendo que Deus o havia ouvido e salvado. Depois de três dias e três noites, o peixe o deixou em terra firme (Jonas 1–2).
Deus deu a Jonas outra oportunidade de ir a Nínive. Dessa vez, ele foi e anunciou o julgamento que estava por vir. Os moradores, desde o povo até o rei, levaram o aviso a sério e abandonaram seus maus caminhos. Ao ver essa mudança, Deus não trouxe sobre a cidade a destruição anunciada (Jonas 3). Isso não significa que Deus tivesse ignorado a maldade deles. O aviso era sério, e o arrependimento também. Em Jeremias 18:7-8, Deus explica esse princípio: quando uma nação abandona o mal, ele pode deixar de executar o juízo anunciado.
A reação de Jonas mostra por que a história não termina com a cidade poupada: ele ficou indignado. Deus fez nascer uma planta que lhe deu sombra e, depois, permitiu que ela secasse. Jonas se entristeceu pela planta. Então Deus lhe perguntou, em outras palavras, se não deveria se importar ainda mais com as muitas pessoas de Nínive (Jonas 4:6-11). O livro termina com essa pergunta, sem dizer como Jonas respondeu.
Jesus também falou de Jonas. Ele comparou os três dias de Jonas no peixe com o tempo que passaria no sepulcro e lembrou que os ninivitas atenderam à pregação do profeta, enquanto muitos de seus ouvintes rejeitavam alguém maior que Jonas (Mateus 12:40-41). A comparação aponta pra morte e ressurreição de Jesus; não quer dizer que Jonas e Jesus fossem iguais.
Assim, Jonas nos ensina mais do que a impossibilidade de fugir de Deus. Mostra que Deus leva o mal a sério, ouve quem clama a ele e tem misericórdia de pessoas que nós talvez preferíssemos ver castigadas. A pergunta final do livro também é pra nós: quando alguém se volta pra Deus, conseguimos nos alegrar com sua misericórdia?