O livro de Joel começa com uma calamidade: uma praga de gafanhotos destruiu as plantações de Judá. Sem colheita, faltava alimento, e até as ofertas feitas com os produtos da terra foram afetadas. Joel chama o povo a olhar com seriedade para o que estava acontecendo. Sua mensagem é um convite ao arrependimento, mas não termina na destruição: ela também fala da misericórdia de Deus e da promessa de derramar seu Espírito.
O próprio livro apresenta Joel como seu autor e o identifica como filho de Petuel (Joel 1:1). Não diz quando ele viveu. Alguns estudiosos situam o livro no século IX a.C.; outros defendem uma data bem posterior. Como o texto não fornece elementos suficientes pra decidir com segurança, é melhor não fixar uma data exata.
Joel pede que toda a comunidade se reúna, jejue e clame a Deus, incluindo os sacerdotes e os líderes (Joel 1:13-14; 2:15-17). Ele não trata a praga apenas como um problema agrícola. Ela leva o povo a pensar na sua relação com Deus e no Dia do Senhor: o tempo em que Deus age para julgar o mal. Por isso, a pergunta que atravessa o livro é: como o povo deve responder diante de Deus?
A resposta aparece no chamado de Joel 2:12-13. Deus pede que o povo volte pra ele de todo o coração, não apenas que faça demonstrações externas de tristeza. Joel lembra que Deus é misericordioso e disposto a perdoar. Ao mesmo tempo, o profeta não trata o perdão como algo que o povo possa exigir; ele os chama a buscá-lo com humildade.
Depois desse apelo, o livro anuncia que Deus cuidará novamente da terra e do seu povo (Joel 2:18-27). A promessa de restituir os anos consumidos pelos gafanhotos fala, naquele contexto, da recuperação após uma perda devastadora. Ela mostra a bondade de Deus, mas não significa que toda pessoa que sofrer uma perda receberá de volta exatamente o que perdeu.
Joel anuncia ainda algo maior: Deus derramará seu Espírito sobre pessoas de diferentes idades e condições, homens e mulheres (Joel 2:28-29). No dia de Pentecostes, Pedro explicou que aquilo que os seguidores de Jesus estavam vivendo se relacionava com essa promessa (Atos 2:16-21). E, ao explicar o que as pessoas deveriam fazer, ele as chamou ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo (Atos 2:37-39).
O fim do livro volta a falar do Dia do Senhor, agora com atenção também às nações e ao julgamento do mal (Joel 3). Assim, Joel mantém juntas duas verdades: Deus leva o pecado a sério, e Deus chama as pessoas a voltar pra ele. O Novo Testamento nos ajuda a entender como responder a esse chamado: Jesus morreu pelos pecados e abriu o caminho do perdão (Hebreus 10:10). A mensagem de Joel, portanto, não é pra nos fazer tentar adivinhar se cada sofrimento é um castigo de Deus. É pra nos lembrar de não adiar o arrependimento e de confiar naquele que é misericordioso.