O livro de Jeremias conta como Deus avisou o povo de Judá, durante muitos anos, de que Jerusalém seria destruída se continuasse a rejeitá-lo. O aviso era sério, e a destruição aconteceu. Mas essa não é a história toda: em meio ao julgamento, Deus também prometeu trazer seu povo de volta e fazer uma nova aliança com ele.
Jeremias começou a anunciar a mensagem de Deus durante o reinado de Josias, no fim do século VII antes de Cristo. Continuou falando aos reis e ao povo nos anos que antecederam a conquista de Jerusalém pela Babilônia, em 586 antes de Cristo, e ainda falou depois dela (Jeremias 1:1-3; 40–44). O livro reúne mensagens dadas em momentos diferentes e relatos da vida do profeta. Jeremias foi a figura central na sua produção; o texto também conta que seu escriba, Baruque, registrou mensagens que ele ditou (Jeremias 36:1-4). Por isso, não é simples atribuir uma única data à escrita de todo o livro.
O problema de Judá não era a falta de práticas religiosas. As pessoas frequentavam o templo, mas também adoravam outros deuses e cometiam injustiças. Jeremias mostrou que manter uma aparência de devoção não tornava aceitável uma vida de desobediência (Jeremias 7:1-11). Ele chamou o povo a mudar de atitude e avisou que, se continuasse assim, perderia a cidade e a terra.
A mensagem foi difícil tanto pra quem a ouviu quanto pra quem precisou anunciá-la. Jeremias enfrentou oposição, foi ameaçado e chegou a ser preso. Também sofreu pelo que aconteceria com seu povo; ele não falava da destruição de Jerusalém como se isso lhe fosse indiferente (Jeremias 20:7-9; 37–38). Quando a cidade finalmente caiu, o templo foi queimado e muitos habitantes foram levados para a Babilônia (Jeremias 52:12-16).
Mesmo assim, o livro não termina com a ideia de que Deus havia abandonado seu povo. Jeremias anunciou que o exílio não duraria pra sempre: Deus traria os exilados de volta (Jeremias 29:10-14). É nesse contexto que aparece a conhecida promessa de Jeremias 29:11. Ela foi dirigida primeiro a pessoas que enfrentariam muitos anos longe de casa; não era uma promessa de que cada uma delas ficaria livre das dificuldades imediatamente.
Jeremias também anunciou algo ainda maior que o retorno à terra. Deus prometeu uma *nova aliança*: colocaria sua lei no interior do seu povo e perdoaria seus pecados (Jeremias 31:31-34). O livro mostra por que isso era necessário. Não bastava reconstruir a cidade se as pessoas continuassem afastadas de Deus. No Novo Testamento, Jesus relaciona essa nova aliança ao seu próprio sangue (Lucas 22:20; Hebreus 8:6-12). Jeremias ainda anuncia um futuro rei da linhagem de Davi que governaria com justiça, promessa que os cristãos relacionam a Jesus (Jeremias 23:5-6).
Assim, Jeremias nos ajuda a entender duas coisas ao mesmo tempo: Deus leva o pecado a sério, e seus avisos não devem ser ignorados; mas ele também oferece perdão e um futuro ao seu povo. A resposta que o livro pede não é apenas parecer religioso. É ouvir a Deus, abandonar o que está errado e confiar nele, mesmo quando obedecer é difícil.