A primeira carta de Pedro responde a uma pergunta que continua importante: como viver com fé em Jesus quando isso traz dificuldades? Pedro não promete que seguir a Cristo vai acabar com o sofrimento. Ele mostra por que os cristãos podem continuar firmes, viver de maneira correta e ter esperança mesmo quando são rejeitados ou maltratados.
A carta começa identificando Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, como seu autor (1 Pedro 1:1). Ela foi enviada a cristãos de várias regiões da Ásia Menor, território que hoje faz parte da Turquia. Pedro os chama de estrangeiros dispersos. Eles viviam em lugares diferentes, mas pertenciam a Deus e, por isso, não deviam deixar que a sociedade ao redor determinasse sua maneira de viver. Não sabemos a data exata da carta; muitos a situam na década de 60 do primeiro século.
Esses cristãos enfrentavam insultos, acusações e outras formas de sofrimento por causa da fé (1 Pedro 2:12; 3:16; 4:4, 12-16). Pedro conhecia esse tipo de pressão: o livro de Atos conta que ele foi ameaçado, preso e açoitado por anunciar Jesus (Atos 4:18-21; 5:17-18, 40). Ainda assim, é importante não imaginar que todos os leitores da carta passavam pela mesma situação ou sofriam uma perseguição oficial em todo o Império Romano. A carta não diz isso.
O ponto de partida de Pedro é a ressurreição de Jesus. Porque Cristo morreu e ressuscitou, os que pertencem a ele têm uma esperança viva e uma herança que Deus guarda pra eles (1 Pedro 1:3-5). Isso não faz a dor desaparecer. Significa que a dor não tem a palavra final. Pedro diz que a fé pode ser provada em meio às dificuldades, mas também lembra aos cristãos que Deus cuida deles (1 Pedro 1:6-7; 5:7).
Essa esperança muda a maneira de viver agora. Pedro chama os cristãos a abandonar práticas como a maldade, o engano e a inveja, e a viver de modo santo — ou seja, de um jeito que corresponda ao Deus a quem pertencem (1 Pedro 1:14-16; 2:1). Ele também os chama de povo de Deus e diz que sua vida deve mostrar as boas obras daquele que os chamou (1 Pedro 2:9-12). A fé, portanto, não é só algo em que a pessoa acredita por dentro; ela aparece no modo como trata os outros.
É nesse contexto que Pedro fala sobre sofrer por fazer o bem. Ele não diz que todo sofrimento é motivo de alegria, nem que o cristão deve procurar ser maltratado. Faz uma distinção: sofrer por ter feito algo errado é uma coisa; sofrer apesar de fazer o que é certo é outra (1 Pedro 2:20; 4:15-16). Se alguém for insultado por seguir a Cristo, não precisa sentir vergonha nem responder com maldade. Pode continuar fazendo o bem e confiando em Deus (1 Pedro 3:14-17; 4:19).
Jesus é o maior exemplo disso. Ele sofreu sem ter cometido pecado e não revidou quando foi insultado. Mas Pedro apresenta Jesus como muito mais do que um exemplo de paciência: ele levou nossos pecados na cruz pra que deixássemos o pecado e vivêssemos de maneira justa (1 Pedro 2:21-24). É por causa do que Cristo fez que os cristãos podem se aproximar de Deus e aprender a viver de outro modo (1 Pedro 3:18).
Pedro também não trata a luta cristã como algo que cada pessoa enfrenta sozinha. Ele incentiva os irmãos a amar uns aos outros, acolher uns aos outros e usar seus dons pra servir (1 Pedro 4:8-10). Perto do fim, chama todos a permanecer atentos e firmes na fé, lembrando que outros cristãos também enfrentam sofrimento (1 Pedro 5:8-9). E termina apontando de novo pra esperança: depois do sofrimento, Deus há de firmar aqueles que pertencem a Cristo (1 Pedro 5:10).
Em poucas palavras, 1 Pedro ensina a manter os olhos em Jesus enquanto se vive fielmente no presente. Sua morte e ressurreição dão aos cristãos esperança para o futuro; seu exemplo mostra como fazer o bem sem revidar o mal. A carta não diminui a dificuldade de sofrer pela fé. Ela mostra que, mesmo nessa dificuldade, Deus não abandona os seus.