A Bíblia traz listas de pecados, mas não apresenta uma lista única e completa que reúna tudo o que é pecado. Ela também ensina a reconhecer o pecado por princípios que vão além de uma lista.
Os Dez Mandamentos, por exemplo, proíbem a idolatria, o assassinato, o adultério, o roubo e o falso testemunho (Êxodo 20:1-17). No Novo Testamento, Paulo menciona, entre outras coisas, a imoralidade sexual, a inveja, as brigas e a embriaguez. Ao terminar essa relação, ele acrescenta “coisas semelhantes”, mostrando que não pretendia citar todos os pecados possíveis (Gálatas 5:19-21).
Jesus explicou por que uma lista de atos, sozinha, não basta. No Sermão do Monte, ele ensina que não é suficiente deixar de matar e de cometer adultério: a maneira como tratamos as pessoas e aquilo que alimentamos no coração também importam diante de Deus (Mateus 5:21-28). Além disso, pecado não é só fazer o que é errado. Saber que devemos fazer o bem e deixar de fazê-lo também é pecado (Tiago 4:17).
Por isso, a pergunta não é apenas: “Isso aparece numa lista de proibições?” Também precisamos perguntar: “Isso é contrário ao que Deus ensina? Estou deixando de fazer um bem que sei que devo fazer?” As passagens bíblicas nos ajudam a responder, mas não foram dadas pra funcionar como uma lista que dispensa o cuidado com nossas atitudes e decisões.
E existe um motivo ainda mais importante pra entender isso. A Bíblia não nos mostra o pecado apenas pra que tentemos ser pessoas melhores por conta própria. Ela mostra que precisamos do perdão de Deus. Paulo explica que ninguém consegue se tornar justo diante dele simplesmente por cumprir a lei; é por meio de Cristo que recebemos, pela fé, aquilo que não conseguiríamos conquistar sozinhos (Gálatas 3:10-14, 24).
Então, sim, existem listas bíblicas de pecados. Elas são úteis e devem ser levadas a sério. Mas a Bíblia não reduz o pecado a uma relação fechada de itens: ela nos ensina a examinar também o coração, a reconhecer o bem que devemos fazer e a buscar em Jesus o perdão de que precisamos.