As “línguas repartidas” eram algo parecido com pequenas chamas que apareceram sobre os seguidores de Jesus quando o Espírito Santo veio sobre eles no dia de Pentecostes. É isso que Atos 2:3 descreve. “Repartidas” quer dizer que elas se separaram e pousaram sobre cada pessoa. E “línguas”, nesse versículo, descreve a forma do que eles viram — não a língua dentro da boca.
Lucas, que escreveu Atos, toma o cuidado de dizer que aquilo era *como* fogo. Ele não afirma que as pessoas foram queimadas nem que havia fogo de verdade. Foi um sinal visível acompanhando a chegada do Espírito Santo, que Jesus havia prometido aos discípulos (Atos 1:4-5). Antes disso, eles também ouviram um som parecido com o de um vento forte (Atos 2:2).
Logo depois acontece outra coisa, ligada à primeira, mas diferente dela: os discípulos começam a falar em outros idiomas, conforme o Espírito os capacita. Pessoas de várias regiões ouvem, cada uma em sua própria língua, as grandes coisas que Deus havia feito (Atos 2:4-11). Por isso, é fácil confundir os dois usos da palavra “línguas” no relato. As línguas *como de fogo* foram o sinal que apareceu; os outros idiomas foram o que os discípulos passaram a falar.
O texto não explica por que o sinal tinha aquela forma. Podemos perceber uma ligação com o que veio em seguida — a capacidade de falar a pessoas de diferentes lugares —, mas essa é uma interpretação, não uma explicação dada expressamente por Lucas. O ponto principal está claro: Jesus cumpriu sua promessa de enviar o Espírito Santo, e seus seguidores receberam poder pra anunciar sua mensagem (Atos 1:8; 2:4).