Quando Jesus falou em “ligar” e “desligar”, ele estava dando aos seus discípulos autoridade pra anunciar sua mensagem e tomar decisões na vida da igreja de acordo com ela. Não era uma autorização pra decidir por conta própria quem seria salvo ou pra fazer o céu obedecer às decisões humanas.
A expressão aparece primeiro numa conversa de Jesus com Pedro. Pedro tinha acabado de reconhecer que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus. Então Jesus falou das “chaves do Reino dos céus” e disse que aquilo que Pedro ligasse ou desligasse na terra seria ligado ou desligado no céu (Mateus 16:16-19).
As chaves ajudam a entender a ideia. Quem recebe uma chave recebe uma responsabilidade relacionada à entrada. Depois da ressurreição de Jesus, Pedro anunciou publicamente que o perdão dos pecados estava disponível por meio dele. Em Atos 2:37-41, as pessoas que aceitaram a mensagem se arrependeram e foram batizadas. Pedro não abriu o Reino por poder próprio; ele anunciou o caminho que Jesus havia aberto.
Na linguagem usada entre os judeus daquela época, “ligar” e “desligar” também podiam ter o sentido de declarar algo proibido ou permitido. Assim, Jesus estava confiando a seus discípulos a responsabilidade de ensinar sua vontade, não de criar regras independentes dele.
Jesus voltou a usar a mesma expressão em Mateus 18:15-20, agora falando a um grupo de discípulos. O assunto ali é um irmão que persiste no pecado e não aceita correção. Jesus orienta que primeiro conversem com ele em particular, depois com testemunhas e, se necessário, que a questão seja levada à igreja. Nesse contexto, “ligar” e “desligar” inclui a responsabilidade de a igreja reconhecer, com cuidado, se alguém continua vivendo como parte da comunidade ou se, por insistir em não se arrepender, deve ser tratado como alguém de fora dela.
Isso não significa que a igreja nunca possa errar. Significa que ela deve levar a sério o que Jesus ensinou, tanto ao anunciar o perdão quanto ao lidar com o pecado. A autoridade continua sendo de Cristo. Os discípulos e a igreja devem agir de acordo com a vontade dele, não tentar impor a própria vontade ao céu.
Então, em poucas palavras: “ligar e desligar” fala da responsabilidade de declarar e aplicar o ensino de Jesus — ao anunciar quem pode entrar no Reino por meio dele e ao cuidar da vida da igreja. O ponto não é dar poder ilimitado a pessoas, mas exigir que elas sejam fiéis à palavra de Cristo.