Libertinagem é viver como se os próprios desejos fossem a única regra, sem se importar com os limites morais ou com as consequências das próprias escolhas. Um *libertino*, no sentido mais comum hoje, é alguém que vive assim. A palavra costuma ser usada especialmente pra falar de uma pessoa que busca relações sexuais sem compromisso e sem preocupação com a fidelidade.
É importante não confundir libertinagem com liberdade. Ser livre pra fazer uma escolha não significa que ela nos faz bem, nem que deixa de afetar outras pessoas. Na Bíblia, o problema não é sentir desejos, mas deixar que eles decidam tudo por nós. Paulo lembra que algumas pessoas viviam dominadas por prazeres e desejos (Tito 3:3). Pedro também alerta contra quem promete liberdade aos outros, mas é dominado por aquilo que o controla (2 Pedro 2:19). A ideia é simples: quando alguém já não consegue dizer “não” a um desejo, esse desejo passou a mandar nela.
Por isso, a vida cristã não é uma licença pra fazer tudo o que dá vontade. Gálatas 5:13 ensina que a liberdade não deve servir de desculpa pra satisfazer os desejos da natureza humana, mas deve nos levar a amar e servir uns aos outros. E Gálatas 5:22-23 apresenta o domínio próprio como parte do fruto do Espírito. Seguir a Cristo, portanto, não significa não ter desejos; significa aprender a não ser governado por eles.
Há ainda um detalhe que pode causar confusão ao ler traduções bíblicas antigas. Em Atos 6:9, a expressão “sinagoga dos libertinos” aparece em algumas versões. Ali, “libertinos” não quer dizer pessoas de vida imoral. O termo se refere a *libertos*, isto é, pessoas que tinham sido escravizadas e depois receberam a liberdade. Nesse trecho, a palavra fala da condição social delas, não do seu comportamento.
Assim, o sentido depende do contexto: hoje, *libertinagem* normalmente é a rejeição dos limites morais em nome da própria vontade; em Atos 6:9, *libertinos* são pessoas que haviam sido libertadas da escravidão.