O livre-arbítrio libertário é a ideia de que, em algumas decisões, a pessoa poderia escolher de outro jeito mesmo que nada do que aconteceu antes fosse diferente. Ela pode ter motivos fortes pra tomar uma decisão, mas esses motivos não tornam a escolha inevitável.
Imagine alguém diante de duas opções: dizer a verdade ou mentir. Segundo essa ideia, se a pessoa escolheu mentir, ela realmente poderia ter dito a verdade naquele mesmo momento. Pra quem defende o livre-arbítrio libertário, essa possibilidade de agir de outro modo ajuda a explicar por que somos responsáveis pelo que fazemos.
Isso não quer dizer, necessariamente, que a pessoa seja independente de Deus, que não sofra influência de seus desejos ou que possa fazer tudo o que quiser. O ponto específico é outro: nossas escolhas nem sempre são determinadas de antemão por tudo o que veio antes delas, seja nosso passado, nossos desejos ou outras causas.
A dúvida fica mais difícil quando perguntamos como isso se relaciona com Deus. A Bíblia ensina que Deus governa sua criação e realiza seus propósitos (Isaías 46:9-10; Efésios 1:11). Também trata as decisões humanas como reais e nos responsabiliza por elas. Por exemplo, Deus chama seu povo a escolher obedecer-lhe (Deuteronômio 30:19), e Jesus lamenta que pessoas não quisessem atender ao seu chamado (Mateus 23:37).
Cristãos que defendem o livre-arbítrio libertário entendem que Deus pode governar a história sem determinar cada escolha humana. Outros cristãos discordam. Para eles, Deus governa inclusive os acontecimentos que envolvem decisões humanas, sem que por isso as pessoas deixem de agir conforme seus próprios desejos e de responder por seus atos. A morte de Jesus costuma aparecer nessa conversa: Pedro diz que ela aconteceu conforme o plano de Deus e, ao mesmo tempo, responsabiliza os homens que a praticaram (Atos 2:23).
Assim, não é correto dizer que a Bíblia chama o ser humano de um ser totalmente independente de Deus. Também não basta afirmar que, se Deus governa, nossas escolhas são fingimento. A Bíblia afirma tanto o governo de Deus quanto a responsabilidade humana. O debate entre cristãos está em como entender a relação entre essas duas verdades — e, em especial, se ser responsável exige poder escolher de outro modo na mesma situação.