Na Bíblia, libertação é o socorro de Deus a quem não consegue sair sozinho de uma situação de perigo ou escravidão. Esse socorro pode acontecer de maneiras diferentes. Deus pode livrar alguém de uma ameaça, ajudá-lo a resistir a uma tentação ou salvá-lo do domínio do pecado. A libertação mais importante, porém, é a que Jesus oferece por meio de sua morte e ressurreição.
Um exemplo conhecido é a saída de Israel do Egito. Aquele povo vivia como escravo e não tinha como conquistar a própria liberdade. Deus ouviu seu sofrimento e o tirou de lá (Êxodo 3:7-8; 6:6). Em outras passagens, vemos Deus protegendo pessoas de inimigos, da fome e da morte (1 Samuel 17:37; Salmo 33:18-19). Por isso, quando a Bíblia fala em livramento, às vezes está falando de um perigo bem concreto, vivido naquele momento.
Mas ela também fala de uma escravidão mais profunda: a do pecado. Podemos até mudar algumas atitudes por esforço próprio, mas não conseguimos, por nós mesmos, apagar nossa culpa diante de Deus nem vencer definitivamente o poder do pecado. É por isso que Jesus veio. Ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou; nele, recebemos perdão e uma vida nova (Romanos 4:25; Colossenses 1:13-14). A pessoa que confia em Cristo não precisa mais viver como se o pecado fosse seu dono (Romanos 6:6-14). E pode esperar a libertação final da morte e do julgamento de Deus (1 Tessalonicenses 1:10; 1 Coríntios 15:54-57).
Isso não significa que o cristão nunca mais vá sofrer ou ser tentado. Paulo, por exemplo, pediu que Deus retirasse um sofrimento que o afligia, mas não recebeu a resposta que esperava. Deus lhe deu forças pra continuar (2 Coríntios 12:7-10). Às vezes, portanto, Deus nos livra *da* dificuldade; outras vezes, nos sustenta *durante* ela. E, quando somos tentados, ele nos ajuda a resistir — não promete que nunca sentiremos a força da tentação (1 Coríntios 10:13).
E quanto à libertação espiritual? A Bíblia leva a sério a ação do diabo e dos espíritos malignos, mas não ensina que todo pecado, sentimento difícil ou mau hábito seja causado por um demônio. O cristão é chamado a resistir ao diabo, confiar em Deus e permanecer firme na verdade da sua Palavra (Tiago 4:7; Efésios 6:10-17). Por exemplo, diante da inveja, não basta atribuí-la a uma influência espiritual: é preciso reconhecer o pecado, levá-lo a Deus e aprender a agir de outra maneira, com a ajuda dele.
Então, a resposta é esta: Deus continua socorrendo seu povo em perigos e dificuldades, mas a libertação que está no centro da mensagem bíblica é a que recebemos em Jesus Cristo. Por meio dele, somos perdoados, deixamos de estar sob o domínio do pecado e passamos a viver com a ajuda de Deus enquanto aguardamos o dia em que o mal e a morte deixarão de existir.