A maneira bíblica não é fazer a criança repetir certas palavras. É apresentar Jesus a ela com clareza, orar por ela e ajudá-la a entender, aos poucos, o que significa confiar nele. Os pais podem ensinar e acompanhar, mas não conseguem produzir a fé no coração do filho. A salvação é um presente de Deus, recebido pela fé, não o resultado de um método bem aplicado (Efésios 2:8-9).
Por isso, vale começar cedo, sem esperar que a criança tenha idade pra entender tudo de uma vez. Ela pode ouvir que Deus a criou e a ama, conhecer as histórias de Jesus e aprender a conversar com Deus em oração. Conforme cresce, precisa entender também por que Jesus veio: todos nós pecamos e precisamos do perdão de Deus; Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou; quem se arrepende e confia nele recebe o perdão e uma nova vida (Romanos 3:23; 1 Coríntios 15:3-4; Romanos 10:9-10).
Essa conversa precisa acompanhar a capacidade da criança. Com uma pequena, talvez seja melhor explicar uma coisa de cada vez e acolher suas perguntas. Com uma maior, já dá pra conversar mais diretamente sobre pecado, perdão, arrependimento e fé. Não é preciso esperar que ela saiba explicar toda a Bíblia antes de confiar em Cristo. Mas é importante ajudá-la a entender em quem está confiando e por quê, em vez de apenas pedir que concorde com os adultos.
O exemplo dos pais também ensina. Quando a criança vê os adultos orando, ouvindo a Palavra de Deus, tratando os outros com amor e pedindo perdão quando erram, ela percebe que seguir Jesus faz parte da vida diária. Isso não exige pais perfeitos. Exige sinceridade. Deuteronômio 6:6-7 orienta os pais a falar dos ensinamentos de Deus nas situações comuns do dia a dia, não só em momentos formais.
E há algo que os pais não devem deixar de fazer: orar pelo filho. Podem pedir a Deus sabedoria pra ensiná-lo e pedir que ele compreenda o evangelho e creia em Jesus. Tiago 1:5 nos encoraja a pedir sabedoria a Deus. Orar é importante justamente porque reconhecemos que a decisão da criança não está sob nosso controle.
Se ela disser que quer seguir Jesus, leve suas palavras a sério e converse com calma. Pergunte o que ela entendeu sobre Jesus e por que quer confiar nele. Se desejar orar, ajude-a a falar com Deus com suas próprias palavras. Uma oração pode expressar a fé, mas não é uma fórmula que salva. Da mesma forma, ir à frente numa reunião ou lembrar a data de uma decisão não é, por si só, prova de conversão.
Depois, continue ensinando e acompanhando. Ajude a criança a conhecer a Bíblia, a orar, a participar da vida da igreja e a entender o que fazer quando pecar. Não procure nela uma maturidade de adulto, nem trate cada dúvida como sinal de que sua fé não é verdadeira. Jesus acolheu as crianças (Marcos 10:13-16), e os adultos podem ajudá-las a se aproximar dele com a mesma paciência e cuidado.
Em resumo, os pais levam uma criança a Cristo quando lhe mostram, em palavras e na vida, quem Jesus é e o que ele fez, oram por ela e a convidam a confiar nele sem pressão. Eles não podem crer no lugar do filho. Podem, porém, ajudá-lo a ouvir e compreender a boa notícia com clareza.