As leis alimentares kosher são as regras que orientam quais alimentos os judeus podem comer e como devem prepará-los. “Kosher” quer dizer “adequado”. A base dessas regras está na Lei que Deus deu a Israel, especialmente em Levítico 11 e Deuteronômio 14. Com o tempo, a tradição judaica também desenvolveu maneiras mais detalhadas de aplicá-las.
A distinção mais conhecida é entre animais considerados puros, que podiam ser comidos, e impuros, que não podiam. Entre os animais terrestres, a Lei permitia os que ruminavam e tinham o casco dividido, como bois, ovelhas e cabras. O porco, por exemplo, tem o casco dividido, mas não rumina; por isso era proibido (Levítico 11:3-8).
Entre os animais aquáticos, eram permitidos os que tinham barbatanas e escamas. Por isso, peixes que atendem a essas condições podiam ser comidos, mas camarões, caranguejos e outros animais aquáticos sem essas características não (Levítico 11:9-12). Para as aves, a Lei apresenta uma lista das que eram proibidas, em vez de dar uma regra simples para identificar todas as permitidas (Levítico 11:13-19). Quanto aos insetos, quase todos eram proibidos, com exceção de certos tipos que saltam, como os gafanhotos mencionados em Levítico 11:20-23.
As regras não tratavam apenas da espécie do animal. Israel também foi proibido de comer sangue (Levítico 17:10-14) e certos tipos de gordura animal (Levítico 7:22-25). A Lei ainda proibia comer um animal encontrado morto (Deuteronômio 14:21). Assim, um animal de uma espécie permitida não podia ser preparado de qualquer jeito.
Talvez a regra kosher mais conhecida hoje seja a separação entre carne e leite. Ela se relaciona com a ordem bíblica de não cozinhar um cabrito no leite da própria mãe (Êxodo 23:19). A Bíblia dá essa proibição específica; a prática de separar amplamente carnes e laticínios, inclusive no preparo e nos utensílios, faz parte da interpretação e da tradição judaica posteriores. Por isso, é importante distinguir o que o texto bíblico diz diretamente das regras detalhadas observadas hoje por comunidades judaicas.
E os cristãos precisam seguir essas leis? De modo geral, os cristãos entendem que não. Jesus ensinou que a impureza moral não vem do alimento que entra no corpo, mas do mal que sai do coração humano (Marcos 7:18-23). Mais tarde, a igreja também precisou decidir se pessoas de outras nações que se tornavam cristãs deveriam guardar a Lei de Moisés, e não lhes impôs as regras alimentares de Israel como um todo (Atos 15). Há orientações nesse capítulo, inclusive sobre sangue, cuja aplicação é entendida de maneiras diferentes entre cristãos; isso não equivale, porém, a exigir de todos a observância completa das leis kosher.
Em resumo, kosher descreve alimentos e formas de preparo considerados adequados segundo as regras judaicas. Essas leis ajudavam a orientar a vida de Israel sob a antiga aliança. Para o cristão, a questão principal não é classificar os alimentos como puros ou impuros, mas viver de modo fiel a Deus também na maneira de comer, respeitando a consciência de outras pessoas (Romanos 14:14-21).