Deus deu a Lei a Israel pra ensinar aquele povo a viver como seu povo. Ela mostrava quem Deus é, orientava a vida em comunidade e deixava claro o que era pecado. Também preparava o caminho pra entender por que todos precisam de Jesus Cristo.
Quando a Bíblia fala da Lei dada por meio de Moisés, não está falando só dos Dez Mandamentos. Ela incluía orientações sobre justiça, família, alimentação, festas, sacrifícios e a maneira de adorar a Deus. Foi dada a Israel depois que Deus tirou o povo do Egito e fez uma aliança com ele (Êxodo 19–20). Por isso, antes de perguntar como essa Lei se aplica a nós, é importante lembrar a quem ela foi dada.
Um de seus propósitos era mostrar como é o Deus que Israel adorava. Deus chamava o povo a ser santo porque ele é santo (Levítico 19:2). Isso aparecia tanto nas instruções sobre adoração quanto nas regras sobre honestidade, cuidado com os pobres e tratamento justo das outras pessoas. A Lei também distinguia Israel das nações ao redor: aquele povo devia viver de um jeito que mostrasse sua relação especial com Deus (Êxodo 19:5-6).
Mas a Lei fazia outra coisa: mostrava o pecado que as pessoas talvez preferissem não enxergar. Uma ordem como “não cobiçarás” não trata apenas do que alguém faz diante dos outros; ela alcança até os desejos do coração. Paulo usa esse mandamento pra explicar que a Lei o ajudou a reconhecer o pecado em si mesmo (Romanos 7:7). O problema não estava na Lei — Paulo diz que ela é santa e boa —, mas nas pessoas, que não conseguem obedecer perfeitamente a Deus (Romanos 7:12; 3:20).
É nesse ponto que os sacrifícios ganham sentido. A Lei ensinava Israel a buscar a Deus quando havia pecado, seguindo as orientações que ele mesmo tinha dado (Levítico 1–7). Esses sacrifícios eram importantes na vida de adoração do povo, mas não significavam que a morte de um animal pudesse, por si só, acabar de uma vez com o pecado. O Novo Testamento explica que eles apontavam pra necessidade de algo definitivo, realizado por Cristo (Hebreus 10:1-10).
Então, a Lei era boa, mas não era um caminho pelo qual alguém conseguiria conquistar a salvação obedecendo a todas as regras. Paulo diz que ela teve, entre outros propósitos, o papel de conduzir as pessoas a Cristo (Gálatas 3:24). Jesus obedeceu ao Pai e, por sua morte e ressurreição, fez o que a Lei não podia fazer por pessoas pecadoras: abriu o caminho pra que fossem perdoadas e aceitas por Deus (Romanos 8:3-4).
Isso não quer dizer que os ensinamentos da Lei não tenham mais nada a nos ensinar. Eles continuam mostrando a santidade de Deus e o valor que ele dá à justiça, à fidelidade e ao amor ao próximo. Mas os cristãos não estão debaixo da aliança feita com Israel por meio de Moisés, com seus sacrifícios e suas regras nacionais. Eles seguem a Cristo, guiados pelo Espírito Santo, e procuram viver de acordo com o que ele ensinou (Romanos 7:6; Gálatas 5:13-14).
Em resumo, Deus deu a Lei pra orientar Israel e mostrar ao povo como viver diante dele. Ao mesmo tempo, ela revelou algo que vale pra todos nós: saber o que é certo não nos torna capazes de fazer sempre o que é certo. Por isso, a Lei também nos ajuda a entender a necessidade de Cristo.