Esses três nomes ajudam a entender para que serviam as leis que Deus deu a Israel por meio de Moisés. A lei moral tratava do certo e do errado; a cerimonial, da adoração e da vida religiosa; e a judicial, de como a nação de Israel devia resolver conflitos e aplicar a justiça.
Mas há um cuidado importante: a Bíblia não apresenta a lei de Moisés dividida em três partes separadas com esses nomes. Essa é uma maneira de organizar o assunto pra estudá-lo. Na vida dos israelitas, tudo fazia parte da mesma aliança com Deus.
A lei moral aparece, por exemplo, nas ordens de não matar, não roubar, não cometer adultério e não dar falso testemunho (Êxodo 20:1-17). Essas ordens mostram como devemos tratar a Deus e às outras pessoas. Jesus ensinou que amar a Deus e amar o próximo resume o que a Lei exige de nós (Mateus 22:36-40). Por isso, o cristão não pode concluir que, porque Jesus cumpriu a lei de Moisés, agora está livre pra roubar ou mentir. O Novo Testamento continua ensinando uma vida de amor, honestidade e santidade (Romanos 13:8-10).
A lei cerimonial dizia respeito, entre outras coisas, aos sacrifícios, às regras de pureza e às festas religiosas. Ela ensinava Israel a levar o pecado a sério e a se aproximar de Deus da maneira que ele havia ordenado. Para os cristãos, os sacrifícios de animais não precisam continuar, porque Jesus ofereceu a si mesmo de uma vez por todas pelo pecado (Hebreus 10:1-14). O Novo Testamento também não exige que os cristãos sejam circuncidados ou guardem as festas de Israel pra serem aceitos por Deus (Atos 15:1-29; Colossenses 2:16-17).
A lei judicial, também chamada de lei civil, orientava a vida de Israel como nação. Ela dizia, por exemplo, como lidar com certos danos à propriedade, conflitos e crimes (Êxodo 21–22). Uma regra que determinava o que fazer quando o boi de alguém ferisse outra pessoa fazia sentido como lei para aquela sociedade. Hoje, a igreja não é o governo da antiga nação de Israel e não tem a tarefa de aplicar aquelas penas. Mesmo assim, essas leis continuam ensinando princípios importantes, como responsabilidade por danos causados e cuidado com a justiça.
A distinção, então, não significa que uma parte da Bíblia ainda importa e as outras podem ser ignoradas. Toda a lei nos ajuda a conhecer Deus, mas nem toda ordem dada a Israel deve ser praticada pelos cristãos da mesma forma. Jesus cumpriu a lei (Mateus 5:17). Por isso, ao ler uma ordem do Antigo Testamento, precisamos perguntar o que ela ensinava a Israel e como entendê-la agora à luz de Cristo e dos ensinamentos do Novo Testamento.
Há pontos em que cristãos discordam, especialmente sobre a guarda do sábado, que aparece nos Dez Mandamentos e também fazia parte da vida religiosa de Israel. Essa divergência não muda o essencial: seguir Jesus não nos dá permissão pra pecar, nem nos obriga a repetir os sacrifícios e as leis civis da antiga nação de Israel.