O Landmarkismo é uma maneira de entender a igreja defendida por alguns grupos batistas. Sua ideia principal é que só podem ser chamadas de igrejas no sentido pleno do Novo Testamento as congregações que preservam uma continuidade de fé, batismo e organização com as primeiras igrejas cristãs. Na prática, seus defensores costumam identificar essas congregações com igrejas batistas de sua própria tradição.
Isso não é uma crença de todos os batistas. Muitos batistas discordam do Landmarkismo.
A diferença aparece com clareza na questão do batismo. Os landmarkistas defendem o batismo de pessoas que creem em Cristo, por imersão, mas vão além disso: em geral, consideram inválido o batismo realizado por uma igreja que não reconhecem como verdadeira igreja do Novo Testamento. Assim, uma pessoa já batizada em outra comunidade cristã pode precisar ser batizada novamente pra se tornar membro de uma igreja landmarkista.
Outra diferença está no que significa a palavra *igreja*. Todos concordam que o Novo Testamento fala de congregações locais, como a igreja em Corinto. O Landmarkismo, porém, rejeita a ideia de que todos os salvos, unidos a Cristo, também formem uma só igreja. Algumas de suas correntes fazem ainda uma distinção entre os cristãos salvos em geral e a “noiva de Cristo”: reservam essa última expressão aos membros das igrejas que consideram legítimas. Nem todos os landmarkistas explicam esses pontos da mesma forma, mas é essa ênfase na igreja local e em sua continuidade que caracteriza o movimento.
O nome vem da imagem de um “marco”, isto é, um sinal que delimita uma propriedade. Provérbios 22:28 proíbe remover os antigos marcos de terra. Os primeiros defensores do movimento usaram essa imagem pra dizer que os cristãos não deveriam abandonar o que entendiam ser os limites estabelecidos por Deus pra igreja. O movimento ganhou força entre batistas norte-americanos em meados do século 19, em meio a debates sobre batismo, cooperação com outras denominações e quem poderia pregar nas igrejas batistas.
Há uma preocupação importante por trás disso: igrejas não devem tratar o ensino bíblico como algo sem importância. A questão é se a Bíblia sustenta todas as conclusões que o Landmarkismo tira dessa preocupação.
O Novo Testamento, por exemplo, não apresenta uma lista de congregações pela qual seja possível acompanhar uma linhagem ininterrupta desde os apóstolos até determinada igreja atual. É possível defender que uma igreja de hoje deve seguir o ensino dos apóstolos sem afirmar que ela precisa provar uma sucessão histórica desse tipo. Judas 3 chama os cristãos a defender a fé recebida, mas não diz que somente igrejas de uma linhagem específica pertencem a Cristo.
Também é difícil limitar a igreja de Cristo a certas congregações locais. Paulo fala dos cristãos como um só corpo, unido a Cristo, sua cabeça (Efésios 1:22-23; 1 Coríntios 12:12-13). Isso não diminui a importância da igreja local: é nela que os cristãos se reúnem, aprendem e cuidam uns dos outros. Mas indica que a união com Cristo não depende de pertencer a uma denominação específica.
O mesmo cuidado vale pra expressão “noiva de Cristo”. Efésios 5:25-27 fala do amor de Cristo pela igreja, e Apocalipse 21:2, 9 usa a imagem da noiva. Essas passagens não ensinam que cristãos salvos de outras igrejas ficarão separados dela por causa de quem administrou seu batismo. Paulo, ao tratar das divisões entre os coríntios, também recusa a ideia de que a identidade dos cristãos deva girar em torno de quem os batizou (1 Coríntios 1:10-17).
Em resumo, o Landmarkismo procura proteger a fidelidade da igreja ao Novo Testamento, especialmente no ensino sobre a igreja e o batismo. O ponto discutível é ir além disso e afirmar que só igrejas de uma determinada tradição são verdadeiras igrejas, ou que apenas seus membros compõem a noiva de Cristo. A Bíblia dá grande importância à igreja local e ao batismo, mas não estabelece essas distinções da maneira defendida pelo Landmarkismo.