Lançar sortes era usar algum objeto para decidir entre duas ou mais possibilidades. Era parecido, nesse sentido, com tirar um nome de um recipiente ou jogar uma moeda. A Bíblia não explica exatamente como eram as sortes usadas em cada ocasião; o que importa nos relatos é por que as pessoas recorriam a elas.
Às vezes, era uma forma de distribuir tarefas ou bens sem que alguém escolhesse o resultado por preferência própria. Quando os israelitas foram dividir a terra entre as tribos, Deus mandou que usassem sortes nessa distribuição (Números 26:55; Josué 18:6-10). Funções ligadas ao serviço no templo também foram organizadas desse modo (1 Crônicas 24:5, 31; 25:8-9).
Em outras situações, as pessoas lançavam sortes porque esperavam descobrir algo que não sabiam. Os marinheiros do navio em que Jonas viajava fizeram isso pra identificar quem estaria ligado à calamidade que enfrentavam (Jonas 1:7). Depois da morte de Judas, os apóstolos oraram e lançaram sortes entre dois homens que atendiam aos requisitos pra ocupar seu lugar. A sorte caiu sobre Matias (Atos 1:21-26).
Isso não quer dizer que todo lançamento de sortes era uma forma de buscar a vontade de Deus. Os soldados que crucificaram Jesus, por exemplo, lançaram sortes pelas roupas dele (João 19:23-24). Nesse caso, queriam decidir quem ficaria com as peças; não estavam procurando orientação espiritual. A mesma prática podia, portanto, ter propósitos muito diferentes.
E os cristãos devem lançar sortes hoje pra tomar decisões? O Novo Testamento relata o que os apóstolos fizeram ao escolher Matias, mas não manda os cristãos repetirem esse método. Esse episódio aconteceu antes da vinda do Espírito Santo sobre a igreja, narrada em Atos 2. Nas orientações posteriores aos cristãos, a ênfase está em conhecer a vontade de Deus por meio de sua Palavra, pedir sabedoria em oração e agir com discernimento (Romanos 12:2; Tiago 1:5).
Assim, a resposta é simples: lançar sortes era um modo de chegar a uma decisão cujo resultado não seria escolhido diretamente pelas pessoas. Em certos momentos da história bíblica, Deus orientou ou permitiu seu uso. Mas a Bíblia não ensina que jogar uma moeda, dados ou qualquer outro objeto seja hoje um meio garantido de receber uma resposta de Deus.