Pastor Antônio Junior

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O que é o kinismo, e por que ele é contrário ao ensino da Bíblia?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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O kinismo é uma ideia defendida por alguns grupos que se dizem cristãos: a de que Deus quer manter os povos separados de acordo com sua origem familiar ou étnica. Por isso, seus defensores costumam rejeitar casamentos entre pessoas de origens diferentes e defender comunidades ou igrejas separadas. As posições variam entre eles. Alguns reconhecem que pessoas de qualquer povo podem ser salvas por Jesus, mas ainda assim dizem que elas não deveriam formar famílias ou congregações juntas.

O problema não é reconhecer que existem povos, culturas e histórias diferentes. A Bíblia reconhece tudo isso. O problema é transformar essas diferenças numa ordem de Deus para separar cristãos. Para sustentar essa ideia, os kinistas costumam recorrer a passagens sobre os casamentos de Israel no Antigo Testamento e sobre a torre de Babel. Mas é preciso olhar para o que essas passagens realmente dizem.

Em Deuteronômio 7:3-4, Deus proibiu os israelitas de se casarem com pessoas de determinados povos que viviam na terra de Canaã. O próprio texto dá a razão: aqueles casamentos poderiam levar Israel a adorar outros deuses. A preocupação ali era a idolatria, não uma regra universal contra casamentos entre pessoas de origens diferentes. Isso fica ainda mais claro quando lembramos de Rute. Ela era moabita, passou a adorar o Deus de Israel e se casou com Boaz, um israelita (Rute 1:16; 4:13).

O Novo Testamento também leva a fé da pessoa a sério quando fala de casamento. Paulo diz que o cristão deve se casar com alguém que pertença ao Senhor (1 Coríntios 7:39). Ele não acrescenta uma exigência de mesma origem étnica. Portanto, não é correto usar a preocupação bíblica com a fé do futuro cônjuge pra criar uma proibição racial que o texto não apresenta.

A história da torre de Babel também não estabelece essa proibição. Em Gênesis 11:1-9, Deus confunde a língua das pessoas e elas se espalham. A passagem explica a dispersão dos povos; não ordena que seus descendentes nunca convivam, se casem ou adorem a Deus juntos.

Quando chegamos ao Novo Testamento, vemos com ainda mais clareza como judeus e gentios — isto é, pessoas de outros povos — devem se tratar na igreja. Pedro passou a se afastar dos cristãos gentios por pressão de outras pessoas. Paulo o confrontou porque aquela separação não combinava com a verdade do evangelho (Gálatas 2:11-14). Em Cristo, Deus reúne pessoas de diferentes povos num só povo, sem exigir que deixem de ter sua própria história e origem (Efésios 2:14-19; Apocalipse 7:9).

Isso não significa que toda igreja precise ter pessoas de várias etnias. Uma congregação pode reunir, naturalmente, pessoas parecidas entre si por causa do lugar onde vivem ou da língua que falam. A questão é outra: nenhuma igreja deve tratar a separação étnica como uma ordem de Deus, nem considerar inadequado que cristãos de origens diferentes se casem ou adorem juntos.

Assim, a resposta bíblica ao kinismo não é fingir que as diferenças entre os povos não existem. É reconhecer que essas diferenças não dão a ninguém o direito de separar aqueles que Deus acolheu em Cristo.