Pastor Antônio Junior

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Como Ló podia ser chamado de justo, apesar de seus erros?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A pergunta faz sentido. Quem lê a história de Ló em Gênesis encontra decisões muito difíceis de defender. Mesmo assim, Pedro o chama de justo (2 Pedro 2:7-8). Pedro não estava dizendo que Ló viveu sem pecar. Ele acrescenta uma informação que Gênesis não explica com a mesma clareza: Ló sofria ao ver a maldade praticada em Sodoma. Ele morava naquela cidade, mas não aprovava o que acontecia ali.

Isso não torna seus erros pequenos. Ló escolheu viver perto de Sodoma e, depois, passou a morar na cidade (Gênesis 13:10-13; 14:12). Quando homens de Sodoma quiseram abusar dos visitantes que estavam em sua casa, ele tentou protegê-los oferecendo suas próprias filhas. Foi uma proposta terrível, mesmo diante de uma ameaça terrível (Gênesis 19:6-8). E, quando chegou a hora de sair da cidade, Ló hesitou; os anjos precisaram conduzi-lo pra fora (Gênesis 19:15-16).

Então, por que Pedro o chama de justo? Porque, na Bíblia, ser justo não significa nunca ter falhado. Abraão creu em Deus, e isso lhe foi considerado justiça, mas ele também tomou decisões erradas (Gênesis 15:6; 12:10-20). A Bíblia não esconde os pecados das pessoas que Deus acolheu.

No caso de Ló, Pedro nos ajuda a entender algo que Gênesis, sozinho, poderia deixar menos claro: apesar das escolhas ruins que fez, Ló se afligia com o pecado ao seu redor. Gênesis também conta que ele recebeu e protegeu os visitantes que chegaram à sua casa, embora o modo como tentou protegê-los depois tenha sido gravemente errado (Gênesis 19:1-8). Há uma diferença entre reconhecer que Ló não concordava com a maldade de Sodoma e dizer que todas as suas atitudes foram boas. Pedro afirma a primeira coisa, não a segunda.

Há ainda um cuidado importante: a Bíblia não explica em detalhes como Deus tratou cada pecado de Ló nem descreve toda a sua vida com Deus. Por isso, não precisamos inventar uma história de fidelidade que Gênesis não contou. Podemos ficar com o que os textos dizem: Ló cometeu erros sérios, Deus o livrou da destruição de Sodoma, e Pedro o chamou de justo e disse que a maldade daquela cidade o atormentava (Gênesis 19:15-22; 2 Pedro 2:7-8).

A história de Ló mostra, assim, duas verdades ao mesmo tempo. A graça de Deus não significa que o pecado deixa de ser pecado. E os fracassos de uma pessoa não significam, por si só, que Deus a rejeitou. Ninguém é aceito por Deus porque conseguiu viver sem falhas; todos pecaram, e a salvação depende da graça dele (Romanos 3:23-24). No caso de Ló, Pedro nos impede tanto de desculpar suas atitudes quanto de concluir, olhando apenas para seus erros, que ele não podia ser chamado de justo.