Justiça punitiva é a ideia de que quem comete um crime deve receber uma punição justa pelo que fez. Essa punição pode impedir que a pessoa volte a cometer o crime e desestimular outras pessoas. Mas há outro ponto importante: o mal praticado não deve ser tratado como se não tivesse importância.
A Bíblia reconhece esse papel da punição. Ao mesmo tempo, ela mostra que punir não é a única coisa que importa. Quando alguém pode reparar o prejuízo que causou, essa reparação também faz parte de uma resposta justa.
Veja o caso do furto. Na lei dada a Israel, quem roubasse um animal tinha de devolver mais do que havia tirado (Êxodo 22:1). A vítima recebia uma compensação, e o ladrão arcava com as consequências do que fez. Nesse caso, reparação e punição não eram alternativas opostas: as duas apareciam juntas.
Já no caso do homicídio, devolver o que foi tirado não era possível. A lei de Israel previa uma punição muito mais severa para quem matasse intencionalmente outra pessoa (Êxodo 21:12; Levítico 24:17). Mas isso não significava liberdade pra condenar alguém com base em qualquer acusação. A lei também exigia testemunhas e distinguia o assassinato de uma morte não intencional (Números 35:9-30). A gravidade do crime precisava ser levada a sério, assim como o cuidado pra não punir um inocente.
No Novo Testamento, Paulo diz que as autoridades têm a responsabilidade de punir quem pratica o mal (Romanos 13:1-4). Por isso, a Bíblia não entrega a cada pessoa o direito de fazer justiça com as próprias mãos. Pelo contrário, ela proíbe a vingança pessoal e orienta os cristãos a não retribuírem o mal com o mal (Romanos 12:17-19). A referência de Paulo à espada mostra que ele reconhecia o poder das autoridades de aplicar punições severas, embora essa passagem, sozinha, não resolva todas as questões sobre quais penas um governo deve adotar hoje.
Então, a resposta é: sim, a Bíblia reconhece a necessidade de punir o mal; mas também valoriza a reparação do dano sempre que ela é possível. Uma resposta justa precisa considerar o que aconteceu, proteger as pessoas, tratar a vítima com seriedade e não dar espaço nem pra impunidade nem pra vingança.