A diferença é esta: justiça imputada fala de como Deus nos recebe por causa de Cristo; justiça transmitida fala da mudança que Deus produz em nossa vida pelo Espírito Santo. Uma responde à pergunta “Como posso ser aceito por Deus, sendo pecador?”. A outra responde “Como minha maneira de viver começa a mudar depois que confio em Cristo?”.
“Imputar” significa atribuir ou creditar. Em Romanos 4:5–6, Paulo diz que Deus atribui justiça a quem crê, independentemente das obras. Isso não quer dizer que a pessoa já se tornou perfeita. Quer dizer que Deus a considera justa diante dele por causa de Jesus, e não porque ela conseguiu obedecer o suficiente para merecer sua aceitação. A Bíblia chama esse ato de justificação (Romanos 5:1).
Já “justiça transmitida” é um nome que alguns cristãos dão à justiça que começa a aparecer na vida de quem foi salvo. Não é apenas uma nova condição diante de Deus: há uma mudança real acontecendo na pessoa. Ela passa a lutar contra o pecado, a obedecer a Deus e a crescer em amor e domínio próprio. A Bíblia chama esse crescimento de santificação. Filipenses 2:12–13 mostra os dois lados dessa mudança: o cristão deve viver de acordo com a salvação que recebeu, e Deus age nele, ajudando-o tanto a querer quanto a fazer o que lhe agrada.
A distinção importa porque a mudança de vida não é o preço da aceitação de Deus. Primeiro, somos salvos pela graça, mediante a fé; depois, vivemos as boas obras para as quais Deus nos preparou (Efésios 2:8–10). Ao mesmo tempo, não faria sentido dizer que a fé nos une a Cristo, mas nunca afeta nossa vida. Por isso Tiago afirma que uma fé sem obras está morta (Tiago 2:17). As obras não compram a salvação; elas mostram que a fé está viva.
Nem todos os cristãos usam a expressão “justiça transmitida”. Ela é especialmente comum em algumas tradições, como a wesleyana. Outros preferem falar simplesmente da obra do Espírito na santificação. Mas a diferença principal continua clara: ser declarado justo por causa de Cristo não é a mesma coisa que já viver de modo perfeitamente justo. A primeira coisa é a base da nossa aceitação diante de Deus; a segunda é uma transformação que continua ao longo da vida cristã.