Porque não conseguimos, por nossos próprios méritos, estar em paz com Deus. A Bíblia diz que todos pecaram (Romanos 3:23). Isso não significa que ninguém faça coisas boas. Significa que nenhuma pessoa ama a Deus e ao próximo de maneira perfeita, como Deus pede. Precisamos de perdão, mas precisamos também de uma posição diante de Deus que não dependa do nosso desempenho.
Jesus mostrou que obedecer a Deus não é apenas evitar certos atos. No Sermão do Monte, ele falou também da ira, dos desejos do coração e da maneira como tratamos até quem nos faz mal. Depois, disse que devemos ser perfeitos como o Pai celestial é perfeito (Mateus 5:21-48). A questão não é só o que fazemos quando os outros estão olhando. Deus conhece o que se passa dentro de nós. Por isso, ninguém pode dizer: “Fiz o suficiente para merecer ser aceito por ele”.
É aí que entra a palavra imputar. Ela significa *atribuir* ou *creditar*. Quando se diz que a justiça de Cristo é imputada a nós, a ideia é que Deus recebe como justos aqueles que confiam em Jesus, não porque nunca tenham pecado, mas por causa do que Cristo fez por eles.
Paulo ensina que somos justificados gratuitamente pela graça de Deus, mediante a redenção que há em Cristo Jesus (Romanos 3:22-26). *Justificar* significa declarar alguém justo diante de Deus. Jesus não tinha pecado, mas morreu por pecadores; por meio dele, podemos ser reconciliados com Deus (2 Coríntios 5:18-21). A expressão “justiça de Cristo imputada a nós” é uma maneira teológica de explicar essa aceitação. Não é uma frase que a Bíblia use literalmente, mas procura reunir o que essas passagens ensinam.
Isso não quer dizer que Deus simplesmente finja não ver nosso pecado. O pecado foi levado a sério na morte de Cristo. Também não quer dizer que, depois de crer, a pessoa passe a agir perfeitamente. Deus começa a transformar a vida de quem pertence a Jesus, mas essa transformação não é o preço pago pra ser aceito por ele. Ela vem como resultado da sua graça.
Portanto, precisamos da justiça de Cristo porque a nossa obediência, por melhor que pareça, não pode apagar nossos pecados nem nos tornar perfeitos. Nossa esperança diante de Deus não é poder afirmar “nunca falhei”, mas confiar naquele que não pecou e se entregou por nós.