Jesus disse isso porque obedecer a Deus não é só parecer correto aos olhos dos outros. Os escribas e fariseus eram conhecidos por conhecer a Lei e seguir muitas regras religiosas. Por isso, a afirmação de Jesus deve ter surpreendido quem o ouvia: se nem o exemplo deles bastava, que tipo de justiça Deus queria? (Mateus 5:20)
O restante do Sermão da Montanha ajuda a entender. Jesus não estava pedindo que seus discípulos acumulassem ainda mais regras. Ele mostrou que os mandamentos de Deus alcançam também aquilo que acontece dentro de nós. Não matar importa, mas a raiva e o desprezo pelo próximo também precisam ser levados a sério. Não cometer adultério importa, mas os desejos que alimentamos também importam (Mateus 5:21-28).
Jesus também falou de pessoas que davam esmolas, oravam ou jejuavam pra receber elogios. Mesmo fazendo coisas boas, elas buscavam a aprovação dos outros, não agradar a Deus (Mateus 6:1-18). Essa era a diferença que Jesus queria deixar clara: é possível ter uma aparência religiosa sem um coração sincero diante de Deus.
Isso não significa que podemos nos tornar justos diante de Deus por esforço próprio. Jesus chama seus discípulos a obedecer de verdade, mas também ensina que precisamos reconhecer nossa necessidade de Deus. A boa notícia, explicada depois pelos apóstolos, é que somos aceitos por Deus mediante a fé em Jesus, não porque conseguimos cumprir tudo perfeitamente (Romanos 3:21-26; Efésios 2:8-10). Essa fé, porém, não deixa nossa maneira de viver como estava: ela produz uma obediência sincera.
Então, a justiça que excede a dos escribas e fariseus não é uma religiosidade mais impressionante. É a vida de quem confia em Jesus e, por isso, deseja obedecer a Deus também quando ninguém está olhando.