Significa que Deus pode restaurar a paz sem deixar de fazer o que é justo. O salmista fala da justiça e da paz como se fossem duas pessoas que se cumprimentam com um beijo. É uma maneira bonita e simples de dizer que elas estão juntas, não em conflito.
O restante do salmo ajuda a entender por quê. O povo de Israel se lembra de uma ocasião em que Deus o perdoou e restaurou. Agora precisa novamente da ajuda dele e pede: restaura-nos outra vez (Salmo 85:1–7). O pedido não ignora o pecado do povo nem a ira de Deus. Eles precisam de perdão e também precisam voltar a viver de modo fiel.
Então o salmista fala da paz que Deus anuncia ao seu povo e o adverte a não voltar à insensatez (Salmo 85:8). Logo depois, descreve o amor e a fidelidade se encontrando, e a justiça e a paz se beijando (Salmo 85:10). A ideia não é que Deus escolha a paz *em vez* da justiça. É que, ao cuidar do seu povo, ele age com amor, fidelidade e justiça, e assim lhe dá paz. O salmo termina esperando que Deus volte a fazer o bem à terra e ao povo (Salmo 85:11–13).
Para os cristãos, essa imagem também ajuda a entender o que Jesus fez por nós. O Salmo 85 fala primeiro da restauração de Israel; ele não explica diretamente a morte de Jesus. Mas o Novo Testamento mostra como Deus nos dá paz sem tratar o pecado como algo sem importância: por meio de Cristo, ele nos perdoa e nos reconcilia consigo (Romanos 3:25–26; 5:1). Assim, o beijo entre a justiça e a paz expressa uma esperança que alcança seu sentido mais profundo em Jesus: podemos ter paz com Deus porque ele nos recebe com graça, sem deixar de ser justo.