Paulo está dizendo que o evangelho mostra como Deus pode acolher pessoas que pecaram sem deixar de ser justo. Essa é a grande questão por trás de Romanos 1:17. Se Deus é justo, ele não pode simplesmente tratar o pecado como se não importasse. Mas, se todos pecaram, como alguém pode ficar em paz com ele?
A resposta aparece na mensagem sobre Jesus. Paulo diz que o evangelho é o poder de Deus pra salvar quem crê e, logo em seguida, explica o motivo: nele, a justiça de Deus é revelada (Romanos 1:16-17). Ou seja, o evangelho não nos dá apenas uma ordem pra viver melhor. Ele anuncia o que Deus fez, por meio de Cristo, pra nos receber.
Paulo desenvolve isso em Romanos 3:21-26. Todos pecaram; ninguém consegue conquistar, por esforço próprio, uma posição justa diante de Deus. Ainda assim, Deus oferece perdão gratuitamente, pela sua graça, a quem confia em Jesus. Isso é possível porque Cristo morreu pelos pecadores. Deus não ignorou o mal: tratou o pecado com a seriedade que ele merece e, ao mesmo tempo, abriu o caminho pro perdão. Por isso Paulo diz que Deus é justo e também declara justo aquele que tem fé em Jesus.
Quando a Bíblia diz que Deus declara alguém justo, não quer dizer que essa pessoa nunca pecou ou que passou a fazer tudo certo. Quer dizer que Deus a aceita por causa de Cristo, e não por causa dos méritos dela. É o que Paulo também explica em Filipenses 3:9: ele não queria depender de uma justiça própria, baseada no cumprimento da lei, mas daquela que vem de Deus por meio da fé em Cristo.
Então, a expressão “justiça de Deus” nos ajuda a entender duas coisas ligadas uma à outra: Deus age de modo justo ao salvar e nos dá, em Cristo, uma posição justa diante dele. Romanos 1:17 acrescenta que isso acontece pela fé. Não é algo que a pessoa conquista primeiro pra depois ser aceita; ela confia em Jesus e no que ele fez por ela.
Em poucas palavras, a justiça de Deus é revelada no evangelho porque ali descobrimos como Deus salva pecadores sem abrir mão da sua justiça: por meio de Jesus Cristo, recebido pela fé.