Júlio César não aparece na Bíblia. Ele morreu em 44 antes de Cristo, décadas antes do nascimento de Jesus. Mesmo assim, ajudou a mudar o governo de Roma de um jeito que influenciou o mundo em que Jesus viveu e em que a igreja começou a crescer.
Na época de Júlio César, Roma era uma república: havia um Senado, embora generais e outros líderes disputassem muito poder. César era um desses generais. Depois de vencer uma guerra civil, passou a controlar Roma e recebeu o cargo de ditador. Foi assassinado por senadores, mas Roma não voltou a ser a república que tinha sido. Após novas guerras, Otávio, filho adotivo de Júlio César, concentrou o poder e recebeu o título de Augusto. Ele é geralmente considerado o primeiro imperador romano — não Júlio César.
É aí que a ligação com a Bíblia fica mais clara. Lucas conta que César Augusto ordenou um recenseamento na época do nascimento de Jesus (Lucas 2:1-5). Mais tarde, Lucas situa o início da pregação de João Batista no décimo quinto ano do reinado de Tibério, sucessor de Augusto (Lucas 3:1-3). Ou seja, os governantes de Roma ajudam a situar os acontecimentos do Novo Testamento na história.
O domínio romano também afetou diretamente os primeiros cristãos. Quando o imperador Cláudio ordenou que os judeus saíssem de Roma, Áquila e Priscila foram pra Corinto; foi lá que Paulo os conheceu (Atos 18:1-2). Anos depois, preso e diante de autoridades romanas, Paulo apelou a César para que seu caso fosse julgado pela autoridade imperial (Atos 25:10-12). Naquela época, o imperador era Nero, embora essa passagem não diga seu nome. Fontes históricas também registram que Nero perseguiu cristãos em Roma.
Tudo isso não significa que Júlio César tenha planejado esses acontecimentos ou participado deles. Sua influência foi indireta: ele teve um papel decisivo nas mudanças políticas que levaram ao governo dos imperadores. Foi sob esse governo que Jesus nasceu, que os apóstolos pregaram e que a igreja enfrentou tanto oportunidades de viajar pelo mundo romano quanto conflitos com suas autoridades.
A distinção mais importante é esta: Júlio César não é um personagem bíblico, mas ajudou a formar o cenário político da história do Novo Testamento. E, nesse cenário, os cristãos anunciavam que Jesus é Senhor — uma fidelidade que nenhum imperador podia exigir para si no lugar dele (Romanos 10:9; Filipenses 2:9-11).