Jesus disse isso porque algumas pessoas achavam que ele tinha desobedecido à lei de Deus ao curar um homem num sábado, o dia reservado ao descanso. Elas viam a cura, pensavam na regra sobre o sábado e concluíam que Jesus estava errado. Mas não tinham considerado com cuidado o que a própria Lei ensinava nem o bem que Jesus havia feito. É nesse contexto que ele pede que julguem com justiça, em vez de ficar apenas com a primeira impressão (João 7:21-24).
Jesus usa um exemplo que seus ouvintes conheciam. Pela Lei de Moisés, os meninos deviam ser circuncidados no oitavo dia após o nascimento, mesmo que esse dia caísse num sábado. Se era correto realizar esse procedimento no sábado, por que seria errado curar uma pessoa nesse dia? A comparação mostrava que a acusação contra Jesus não vinha de uma compreensão justa da Lei. Eles estavam aplicando uma regra de um jeito que os impedia de reconhecer uma obra de misericórdia.
Julgar com justiça, portanto, não é simplesmente ter uma opinião forte ou saber apontar erros. É procurar entender os fatos e avaliá-los à luz do que Deus realmente ensina. Naquela ocasião, isso exigia que as pessoas deixassem de lado suas conclusões apressadas e examinassem com honestidade tanto a Lei quanto o que Jesus havia feito. Mais adiante no mesmo capítulo, Jesus diz que quem está disposto a fazer a vontade de Deus pode reconhecer a origem do seu ensino (João 7:17). Não bastava conhecer as palavras da Lei; era preciso querer obedecer a Deus.
Isso também nos ajuda quando precisamos avaliar uma situação hoje. Antes de chamar alguém de errado, vale perguntar: sei o que de fato aconteceu? Estou levando em conta o contexto? Minha conclusão vem da Bíblia ou de uma preferência minha que passei a tratar como mandamento de Deus? E estou sendo tão honesto ao examinar minhas próprias atitudes quanto sou ao examinar as dos outros?
Isso não significa deixar de distinguir o certo do errado. Em Mateus 7:1-5, Jesus condena a atitude de quem aponta a falha de outra pessoa enquanto ignora uma falha grave em si mesmo. Ele não ensina que nunca devemos corrigir ninguém; ensina que precisamos abandonar a hipocrisia antes de tentar ajudar o outro. O objetivo não é condenar por orgulho, mas agir com verdade e humildade.
No fim, julgar com reta justiça é não parar na aparência. É ouvir, conferir os fatos, buscar o sentido do que Deus disse e ter cuidado pra não colocar nossas regras acima daquilo que ele valoriza. Foi isso que faltou àqueles que criticaram Jesus: estavam tão certos da própria avaliação que não perceberam a misericórdia de Deus bem diante deles.