Jesus foi interrogado primeiro pelos líderes religiosos judeus e depois pelas autoridades romanas. É comum contar seis momentos nesse processo, mas isso não quer dizer que houve seis julgamentos formais, cada um com começo e fim bem definidos. Os Evangelhos mostram uma sequência de interrogatórios e decisões que terminou com Pilatos autorizando a crucificação.
Depois de ser preso, Jesus foi levado a Anás, que já tinha sido sumo sacerdote e ainda era uma figura influente. Anás o questionou sobre seus discípulos e seus ensinamentos. Em seguida, Jesus foi enviado a Caifás, o sumo sacerdote naquele ano (João 18:12-24).
Na casa de Caifás, líderes religiosos procuraram testemunhos contra Jesus. Os relatos mostram que as declarações apresentadas não concordavam entre si. A questão decisiva passou a ser quem Jesus dizia ser. Quando ele afirmou sua identidade como o Cristo, o Filho de Deus, os líderes entenderam sua resposta como blasfêmia e o consideraram merecedor de morte (Mateus 26:57-66; Marcos 14:55-64). Ao amanhecer, o Sinédrio, o conselho de líderes judeus, voltou a examinar o caso e decidiu levá-lo a Pilatos (Lucas 22:66–23:1).
Aí a acusação mudou de foco. Diante dos líderes religiosos, o centro da discussão era a identidade de Jesus. Diante de Pilatos, o governador romano, eles apresentaram acusações políticas: disseram que Jesus agitava o povo, se opunha ao pagamento de impostos a César e afirmava ser rei (Lucas 23:2). A acusação sobre os impostos contrariava o que Jesus havia ensinado: ele tinha dito que se devia dar a César o que era de César (Lucas 20:20-25).
Pilatos interrogou Jesus, mas declarou que não encontrava motivo pra condená-lo. Ao saber que Jesus era da Galileia, mandou-o a Herodes Antipas, que governava aquela região e estava em Jerusalém. Herodes fez perguntas a Jesus, recebeu silêncio como resposta e permitiu que seus soldados zombassem dele. Depois, mandou-o de volta a Pilatos (Lucas 23:3-12).
No último momento, Pilatos afirmou novamente que não encontrava em Jesus culpa que justificasse a morte. Tentou soltá-lo, mas os líderes religiosos e a multidão reunida pediram a libertação de Barrabás, um preso envolvido numa revolta, e exigiram a crucificação de Jesus. Pilatos acabou cedendo e entregou Jesus pra ser crucificado (Lucas 23:13-25).
Portanto, a sequência mais conhecida é: Anás, Caifás e o conselho judaico; depois Pilatos, Herodes e Pilatos outra vez. O ponto central não é chegar ao número seis, mas perceber o que os próprios relatos destacam: mesmo depois de Pilatos declarar que não via motivo pra uma sentença de morte, Jesus foi condenado.