Antes de chegar à cruz, Jesus passou por uma noite de profunda angústia, foi traído e preso, enfrentou interrogatórios, acusações falsas, agressões e, por fim, a condenação de Pilatos. Os Evangelhos mostram não só o sofrimento que ele suportou, mas também como foi condenado apesar de não terem provado que merecia morrer.
Tudo começou no jardim do Getsêmani. Jesus sabia o que estava prestes a acontecer e orou em grande aflição. Pouco depois, Judas o entregou aos homens que vieram prendê-lo, e seus discípulos fugiram (Mateus 26:36-56). Pedro ainda tentou acompanhá-lo, mas, durante aquela noite, negou três vezes que o conhecia (Lucas 22:54-62).
Depois da prisão, Jesus foi levado primeiro a Anás, que havia sido sumo sacerdote e continuava sendo uma figura influente. Em seguida, foi levado a Caifás, o sumo sacerdote daquele ano. Ali, líderes religiosos procuraram testemunhos contra ele, mas os depoimentos não concordavam entre si. Quando Jesus confirmou sua identidade diante do sumo sacerdote, eles o acusaram de blasfêmia — isto é, de falar de um modo que consideravam ofensivo a Deus — e concluíram que ele merecia morrer. Jesus também foi alvo de zombaria e agressões. Pela manhã, os líderes se reuniram novamente e decidiram levá-lo à autoridade romana (João 18:12-24; Mateus 26:57-68; Lucas 22:66–23:1).
Diante de Pilatos, o governador romano, a acusação mudou. Os líderes apresentaram Jesus como alguém que agitava o povo, se opunha ao pagamento de impostos e dizia ser rei. Essas eram acusações que poderiam preocupar Roma. Pilatos interrogou Jesus, mas declarou que não encontrava nele motivo para condená-lo. Ao saber que Jesus era da Galileia, enviou-o a Herodes, que governava aquela região e estava em Jerusalém. Herodes fez perguntas, mas Jesus não lhe respondeu; então Herodes e seus soldados zombaram dele e o devolveram a Pilatos (Lucas 23:1-12).
Pilatos voltou a dizer que Jesus não havia feito nada que justificasse a pena de morte. Mesmo assim, diante da insistência da multidão, mandou açoitá-lo. Os soldados romanos também o humilharam, colocando nele uma coroa de espinhos e zombando de sua condição de rei. Pilatos tentou soltá-lo, mas acabou cedendo aos pedidos para libertar Barrabás e crucificar Jesus (João 18:38–19:16; Lucas 23:13-25).
Às vezes, essas passagens são resumidas como seis etapas de julgamento: três diante de autoridades religiosas e três envolvendo Pilatos e Herodes. É uma forma de organizar os relatos, não uma indicação de que houve seis processos formais separados. O essencial é claro: Jesus foi levado de uma autoridade a outra, sofreu violência e humilhação, e Pilatos autorizou sua crucificação mesmo tendo declarado que não encontrava nele culpa que justificasse a morte.
Os Evangelhos também mostram por que essa história importa tanto pra fé cristã. Jesus não foi apenas uma vítima de uma condenação injusta. Ele sabia que enfrentaria a morte e, mesmo em meio à angústia, não fugiu do caminho que havia vindo cumprir (Marcos 10:45; Lucas 22:42).