Pastor Antônio Junior

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Os julgamentos das bruxas de Salém tinham apoio na Bíblia?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Não. A Bíblia condena a prática da feitiçaria, mas isso não significa que os cristãos devam executar pessoas acusadas de praticá-la. E uma acusação, por mais assustadora que pareça, não pode ser tratada como prova.

Entre 1692 e 1693, em Massachusetts, muitas pessoas foram acusadas de bruxaria. Dezenove foram enforcadas, um homem morreu depois de ser pressionado por pedras, e outras pessoas morreram na prisão. Pra avaliar esses julgamentos à luz da Bíblia, precisamos separar duas perguntas: o que a Bíblia diz sobre a feitiçaria e como ela manda tratar uma pessoa acusada?

No Antigo Testamento, a lei dada a Israel proibia a feitiçaria e estabelecia penas severas para certas práticas desse tipo (Êxodo 22:18; Levítico 20:27). Mas Israel era uma nação governada por leis que Deus havia dado especificamente àquele povo. Essas leis penais não foram entregues à igreja como uma ordem pra executar quem pratica feitiçaria.

Isso fica mais claro quando vemos como os apóstolos lidaram com situações semelhantes. Em Samaria, Simão havia praticado magia. Quando cometeu outro pecado grave, Pedro o repreendeu e o chamou ao arrependimento; não mandou executá-lo (Atos 8:9-24). Em Éfeso, pessoas que tinham praticado artes mágicas abandonaram essas práticas e queimaram seus livros (Atos 19:18-19). O caminho apresentado nesses relatos é reconhecer o pecado e deixá-lo, não matar o pecador.

Há ainda um problema decisivo em Salém: as acusações não foram apuradas de maneira justa. Os julgamentos deram espaço a boatos e a relatos de visões ou experiências que não permitiam verificar se o acusado tinha feito algo. A própria lei dada a Israel exigia cuidado com as testemunhas e mandava investigar acusações, inclusive as falsas (Deuteronômio 19:15-20). Não fazia sentido invocar uma pena do Antigo Testamento e, ao mesmo tempo, ignorar sua exigência de justiça.

Portanto, dizer que os julgamentos não eram bíblicos não é dizer que a Bíblia aprova a feitiçaria. É dizer que condenar uma prática não autoriza condenar pessoas sem provas, nem transforma as penas dadas ao antigo Israel numa missão da igreja. A resposta cristã ao pecado deve levar a verdade a sério, tratar as pessoas com justiça e chamar quem errou ao arrependimento.