Os judeus sefarditas são judeus ligados, pela origem familiar e pelas tradições, às antigas comunidades judaicas da Espanha e de Portugal. O nome vem de Sefarad, palavra hebraica usada para se referir à Espanha. Já o *judaísmo sefardita* é a maneira como essas comunidades preservaram e praticaram o judaísmo. Não é uma religião diferente.
Durante muitos séculos, judeus viveram na Península Ibérica e formaram comunidades com seus próprios costumes, formas de oração e estudiosos. Um deles foi Maimônides, nascido em Córdoba, no século XII. Ao mesmo tempo, a vida dessas comunidades nem sempre foi segura. Houve períodos de convivência e também de perseguição, conversões forçadas e fuga.
A maior ruptura aconteceu no fim do século XV. Em 1492, os governantes da Espanha ordenaram que os judeus que não aceitassem o cristianismo deixassem o país. Em Portugal, vieram medidas semelhantes poucos anos depois, incluindo conversões forçadas em 1497. Muitas famílias partiram para o norte da África, o território do Império Otomano e outras regiões. Outras permaneceram na Península Ibérica, mas passaram a esconder suas práticas judaicas.
Mesmo vivendo em lugares diferentes, seus descendentes conservaram tradições em comum. Entre elas estão certas formas de oração, costumes familiares, músicas e alimentos. Algumas comunidades também mantiveram o ladino, língua de base espanhola que incorporou palavras de outros idiomas ao longo do tempo. Isso não quer dizer que todos os sefarditas falem ladino ou pratiquem o judaísmo exatamente do mesmo jeito: suas comunidades mudaram bastante conforme os lugares onde viveram.
Talvez ajude comparar com outro nome conhecido: asquenazes são judeus cujas tradições se desenvolveram principalmente entre comunidades da Europa Central e Oriental. Sefarditas e asquenazes compartilham os fundamentos do judaísmo, mas têm diferenças em costumes e em algumas práticas religiosas. Há ainda judeus de antigas comunidades do Oriente Médio e do norte da África chamados mizrahim. As histórias desses grupos podem se cruzar, mas os nomes não significam exatamente a mesma coisa.
A Bíblia fala dos sefarditas? Não com o sentido histórico que usamos hoje. O Novo Testamento já mostra judeus vivendo longe da terra de Israel, como em Atos 2:5-11. Mas as comunidades sefarditas se formaram muitos séculos depois, na Península Ibérica. Por isso, não seria correto dizer que a Bíblia identifica esse grupo ou ensina um “judaísmo sefardita”. Essa distinção ajuda a separar o que a Bíblia relata sobre o povo judeu da história posterior de suas comunidades.
Hoje, há pessoas de origem sefardita em Israel e em vários outros países. Algumas mantêm práticas religiosas tradicionais; outras se identificam sobretudo pela história da família e da comunidade. Em poucas palavras, “sefardita” indica uma herança histórica e cultural dentro do povo judeu, e “judaísmo sefardita” se refere às tradições judaicas desenvolvidas e preservadas por essas comunidades.