A diferença principal está no que se espera do Messias. Os cristãos creem que Jesus é o Messias prometido e que ele voltará pra completar aquilo que ainda não aconteceu. A maioria dos judeus não aceita essa explicação: entende que, quando o Messias vier, a paz, a justiça e a restauração anunciadas pelos profetas deverão se tornar realidade de modo visível. Como o mundo ainda sofre com guerras e injustiças, não reconhece Jesus como esse Messias.
Pra entender a questão, é bom lembrar que os judeus não esperavam todos a mesma coisa no tempo de Jesus. Mas muitos aguardavam que Deus libertasse Israel do domínio estrangeiro e estabelecesse seu reino. Até os discípulos de Jesus tinham dificuldade de entender que ele seria rejeitado e morto antes de receber a glória que esperavam (Marcos 10:35-37; Lucas 24:19-21). Sua crucificação, portanto, foi um grande obstáculo pra muitos. Paulo reconheceu que anunciar um Messias crucificado era algo difícil de aceitar (1 Coríntios 1:23).
Os cristãos entendem a história de outro modo. Veem na morte e na ressurreição de Jesus o cumprimento das Escrituras e o início da obra do Messias: ele veio primeiro pra lidar com o pecado e abrir o caminho da reconciliação com Deus. Sua volta trará a conclusão daquilo que foi prometido, incluindo o fim do mal (Lucas 24:25-27; 1 Coríntios 15:20-26). Essa distinção entre a primeira vinda e a volta de Jesus é essencial pra resposta cristã à pergunta: se Jesus é o Messias, por que tantas promessas ainda não se cumpriram plenamente?
Também há uma diferença na leitura das profecias. Os cristãos entendem que Isaías 53, ao falar de alguém que sofre pelos pecados de outros, aponta pra Jesus. Muitos judeus interpretam esse texto de outra maneira, por exemplo, como uma referência a Israel. Não se trata simplesmente de um lado ter lido o texto e o outro tê-lo ignorado. A discordância envolve a forma de entender a passagem e de relacioná-la com o restante das Escrituras.
Além das razões bíblicas e religiosas, existe uma razão histórica que não pode ser ignorada. Ao longo dos séculos, judeus sofreram perseguições, expulsões e violência praticadas por pessoas e instituições que se diziam cristãs. Isso tornou o nome de Jesus, pra muitos, ligado a experiências de sofrimento. Essas violências não podem ser justificadas pelo ensino de Jesus. Ele, seus primeiros discípulos e Paulo eram judeus; e Paulo advertiu os cristãos não judeus a não se considerarem superiores aos judeus (Romanos 11:18-21).
Por isso, não há uma única explicação que sirva pra cada pessoa judia. Há judeus religiosos que estudam as Escrituras e chegam a uma conclusão diferente da cristã; há judeus seculares pra quem a questão do Messias não ocupa um lugar importante; e há judeus que reconhecem Jesus como Messias. Do ponto de vista cristão, Jesus é o Messias prometido. Entender por que a maioria dos judeus discorda exige ouvir suas razões com respeito, sem reduzir essa discordância a teimosia ou falta de conhecimento da Bíblia.