Não existe um ódio inevitável entre judeus e árabes, nem a Bíblia ensina que esses povos estejam destinados a ser inimigos. O conflito que vemos hoje tem uma história longa, mas suas causas mais diretas envolvem território, segurança, deslocamento de pessoas e decisões políticas. A religião também faz parte dessa história, mas não explica tudo sozinha.
Vale começar distinguindo as pessoas. “Judeu” pode se referir a um povo ou à sua religião. “Árabe” se refere a uma identidade cultural e linguística. “Muçulmano” é quem segue o islamismo. Há árabes cristãos, e a maior parte dos muçulmanos do mundo não é árabe. Também não é justo dizer que todos os membros de qualquer desses grupos odeiam os outros.
Às vezes, o conflito é explicado pela história de Isaque e Ismael, os dois filhos de Abraão. Gênesis conta que houve tensão na família e que Agar e seu filho Ismael foram mandados embora (Gênesis 16; 21). A Bíblia também diz que a promessa feita a Abraão seguiria por meio de Isaque (Gênesis 17:19; 21:12). Mas esse relato não é uma explicação suficiente para as guerras de hoje. Ele não diz que todos os árabes descendem de Ismael, nem manda os descendentes de Isaque e Ismael se odiarem. Aliás, Deus também cuidou de Ismael e prometeu fazer dele uma grande nação (Gênesis 21:13, 17-18).
A história mais recente ajuda a entender melhor a situação. Na primeira metade do século 20, cresceu a imigração judaica para uma região onde viviam comunidades árabes palestinas. Depois da Segunda Guerra Mundial e do assassinato de milhões de judeus no Holocausto, aumentou o apoio internacional à criação de um Estado judeu. Em 1947, a ONU propôs dividir o território em um Estado judeu e outro árabe; ela não simplesmente “deu a terra” a um povo. Israel declarou sua independência em 1948, e uma guerra se seguiu. Muitos palestinos fugiram ou foram expulsos de suas casas. Guerras posteriores, especialmente a de 1967, trouxeram novas disputas sobre territórios e sobre o futuro dos palestinos e de Israel. É por isso que temas como segurança, fronteiras e o direito dos refugiados continuam tão difíceis.
Há também diferenças religiosas reais. Judeus, cristãos e muçulmanos entendem de maneiras diferentes partes da história de Abraão. Mas não devemos usar essas diferenças para transformar pessoas em inimigos. Mesmo entre cristãos que levam a Bíblia a sério, há opiniões diferentes sobre como as promessas de terra feitas a Abraão se relacionam com o Estado moderno de Israel. Nenhuma dessas interpretações dá licença para desprezar judeus, árabes ou palestinos.
Então, a resposta mais honesta é esta: não se trata de dois povos que “se odeiam” por natureza. Trata-se de um conflito histórico e político, agravado por perdas, medo, violência e também por convicções religiosas. A Bíblia nos chama a orar pela paz de Jerusalém (Salmo 122:6) e a buscar a paz com as pessoas (Romanos 12:18). Isso exige levar a sério a vida e o sofrimento de todos os envolvidos, sem justificar o ódio contra ninguém.