O judaísmo messiânico reúne pessoas que se identificam como judias e creem que Jesus de Nazaré é o Messias prometido nas Escrituras. Muitas preferem chamá-lo de Yeshua, seu nome em hebraico. Elas seguem Jesus e, ao mesmo tempo, procuram manter aspectos da vida e da cultura judaica, como certas festas, orações e costumes.
A diferença principal em relação ao judaísmo tradicional está justamente em Jesus. O judaísmo tradicional não o reconhece como o Messias; os judeus messiânicos, sim. Nesse ponto central, sua fé se aproxima do cristianismo, embora muitas comunidades messiânicas expressem essa fé de um jeito ligado às suas raízes judaicas.
Essa ligação tem uma razão bíblica importante: Jesus era judeu, assim como seus apóstolos e muitos dos primeiros que creram nele. Em Atos 2, por exemplo, vemos judeus entre aqueles que receberam a mensagem anunciada pelos apóstolos. Por isso, um judeu crer em Jesus não é algo estranho à história do Novo Testamento.
Mas é bom fazer uma distinção. Os primeiros seguidores judeus de Jesus não formavam o movimento moderno chamado “judaísmo messiânico”. Existe uma ligação de fé entre eles, mas não devemos tratar as comunidades de hoje como se fossem simplesmente a continuação, sem mudanças, das comunidades do tempo dos apóstolos.
As práticas também variam de uma comunidade messiânica pra outra. Algumas celebram festas bíblicas, como a Páscoa judaica e a Festa dos Tabernáculos, entendendo que elas ajudam a compreender quem Jesus é e o que ele fez. O Novo Testamento relaciona as antigas festas e cerimônias à obra de Cristo (Colossenses 2:16-17). Isso, porém, não significa que guardar essas festas seja necessário pra receber a salvação. Quando surgiu a questão sobre exigir dos não judeus a observância da Lei de Moisés, os apóstolos não impuseram essa exigência (Atos 15).
Em poucas palavras, o judaísmo messiânico é uma forma de seguir Jesus mantendo uma identidade e práticas judaicas. Pra entender uma comunidade específica, vale observar o que ela ensina sobre Jesus, sobre a salvação e sobre o lugar que dá aos costumes judaicos, porque nem todas pensam da mesma maneira sobre esses assuntos.